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  • Semana Santa, a seriedade do Amor 30/03/2026 Semana Santa, a seriedade do Amor

    Nos dias passados, antes que o coração conhecesse o tempo, já pairava sobre o mundo uma Palavra mais antiga que as estrelas. Dela vinham os começos, e por ela se sustentavam os caminhos que viriam a existir.
    Nós, porém, labutávamos como viajantes sob névoa ouvindo nas dobras do vento e no rumor das águas um eco distante; cada geração guardava, como podia, um fragmento dessa lembrança. Fruto de uma voz que o mundo ouviu em sua juventude, uma promessa que não se distrai daquilo que promete.
    A voz ouvida não era como a voz dos reis da terra, que juram ao amanhecer e ao cair da tarde já esqueceram. Sua palavra não era como a fumaça, que se eleva por um momento e logo se desfaz. Aquilo que ele pronunciava permanecia, aquilo que ele prometia se cumpria. E assim, por muitas eras de eras, enquanto os povos erguiam torres, quebravam alianças, atravessavam desertos e enterravam seus mortos, a promessa feita seguia seu caminho oculto, como rio cavando por baixo da terra árida.
    Então veio o tempo em que a promessa se encarnou e já não quis apenas ressoar nos profetas e nos sonhos da noite; tomou para si o peso do dia, o pó das estradas e o cansaço dos que labutam.
    Aquele que desde sempre guardava o mundo em sua palavra desceu até ele. Não veio com o fulgor diante do qual as muralhas se desfazem, nem com o estrondo que sucede ao relâmpago. Veio em silêncio como chegam os viajantes ao cair da tarde, veio sob o céu da humanidade, trazendo consigo a verdade.
    Tomou para si a condição dos que caminham entre aurora e sepulcro. Recebeu o peso das horas, a sucessão dos dias, o frio das madrugadas e a lentidão dos passos humanos.
    Aquele a quem pertenciam os confins da terra quis conhecer o limite de um corpo, o compasso do coração, a fome depois da jornada, a amizade ao redor do pão, o pranto diante do túmulo, a solidão sob as árvores da noite. Assim, o Senhor entrou no mundo como caminhante entre caminhantes.
    Essa esperança já estava escrita no barro de Adão e na canção secreta do criado. Entrar na terra dos vivos é aceitar a travessia.
    Ninguém nasce para permanecer junto ao limiar. A humanidade recebe a vida como caminhante. Aprende o nome das coisas andando, amadurece sob o peso dos dias, ama em meio às guerras, perde sob o mesmo céu. Leva anos para compreender que existir é mover-se entre promessa e cumprimento.

    Por isso o Filho caminhou.

    Caminhou pelas margens onde a água recolhe as vozes dos simples; entre colinas e ruas estreitas. Caminhou entre doentes, pescadores, mães aflitas, crianças, estrangeiros, pobres de espírito, homens endurecidos pelo costume e mulheres que sofriam em silêncio. Uma marcha sem pressa na encosta do mundo.
    O caminhar recordou-nos de alguma coisa anterior ao medo. Os cegos ergueram o rosto, como se sentissem um clarão sem nome. Os cansados descobriam que o peso de seus fardos podia ser aliviado. Os pecadores, acostumados a viver a sombra, ouviam em sua voz a seriedade de uma misericórdia antiga como o tempo. E ainda assim sua presença trazia também inquietação, porque a luz sempre perturba as fortalezas do orgulho e as casas da injustiça.
    Muitos pensaram que seu caminho terminaria como terminam os caminhos dos justos entre os homens. Em recusa, em abandono e em sangue derramado sobre a terra ingrata. E, de fato, para lá seus passos se encaminharam, embora poucos o soubessem. Cada estrada por que passava inclinava-se secretamente para aquela descida; cada monte anunciava uma colina de dor; cada repouso junto à mesa apontava para a hora em que ofereceria não apenas pão, mas a si mesmo.
    Assim o Caminhante avançou para o coração escuro do mundo.
    Não recuou diante do ódio dos violentos, nem se desviou quando a amizade vacilou, nem se escondeu quando a noite se fechou. Seus pés, que haviam atravessado aldeias e campos, subiram também a estrada amarga. E ali a fidelidade do Altíssimo mostrou sua grandeza além de toda medida.
    A promessa entrou na aflição, o amor na ferida, a vida na morte. O Caminhante estendeu-se sobre a madeira como quem abre uma ponte sobre o abismo, para que os perdidos encontrem passagem.
    Veio então o primeiro dia, e o mundo tremeu sob a dor de contemplar seu Senhor entregue às mãos da violência. O céu se velou. A terra guardou silêncio. Muitos julgaram que a antiga promessa havia enfim sido vencida, e que o túmulo seria a morada da esperança.
    Veio depois o segundo dia, o mais estranho de todos os dias desde que o sol iluminou este mundo. Era o dia imóvel, o dia fechado, o dia em que as portas pareciam pesadas demais para serem abertas e o ar espesso para ser respirado. Nesse dia, o mundo viu apenas a pedra, o sepulcro e a ausência. Mas as raízes da fidelidade trabalhavam escondidas, para além do alcance da vista, como sementes sob a neve ou fogo debaixo das cinzas.

    Então amanheceu o terceiro dia!

    E nenhum canto, nenhum brilho, nenhuma aurora nas montanhas desde o princípio do mundo se igualou àquele romper. Pois a morte, que havia fechado suas mãos sobre reis e mendigos, sábios e crianças, profetas e pecadores, descobriu que tocara aquele a quem não podia reter. O sepulcro foi espalancado como se irrompe de águas sufocantes. A pedra se partiu. O silêncio foi superado por uma vida que não voltaria a perecer. E o Caminhante levantou-se.
    Levantou-se trazendo uma novidade ao alcance dos mortais. Em seu corpo glorioso, ainda marcado pela memória dos cravos, brilhava a verdade que nenhuma palavra humana pode pronunciar sem espanto. A promessa atravessou a noite inteira e permaneceu inteira; a fidelidade passou pelo abismo e trouxe consigo a aurora; o Deus que desceu ao mundo não voltou atrás, mas foi até o fim.
    Desde então, todos os caminhos da terra foram mudados, ainda que muitos o ignorem.
    O Caminhante chama agora outros caminhantes. Sua voz percorre campos, cidades, claustros, desertos, lares e ruínas, dizendo a cada geração que se ponha de pé e siga. Não chama apenas os fortes, os sábios, ou os puros. Chama os que têm pés cansados, coração dividido, memória ferida e pouca esperança. Chama-os porque conhece a estrada. Chama-os porque já entrou na noite do mundo e abriu uma Clareira. Chama-os porque é caçador de vida e luz, e não de morte e escuridão.
    Assim nasceram os discípulos, como companheiros do Caminhante. A eles foi dado mais do que doutrina; foi dado um caminho. Entregue mais do que consolação; foi confiada uma marcha.
    Tornamo-nos povo da estrada, gente do terceiro dia, mulheres e homens que aprenderam a reconhecer na sexta-feira a seriedade do amor, no sábado a paciência da esperança e no domingo a vitória do coração sobre a dureza do tempo.
    E ainda agora, quando os reinos envelhecem, as guerras obscurecem o horizonte e muitos se perguntam se a promessa se perdeu entre as ruínas do mundo, o que permanece é o fato que o Altíssimo entrou na história como caminhante. Seus pés tocaram a poeira. Sua voz chamou os perdidos. Sua fidelidade desceu até a morte. Sua vida abriu a manhã do terceiro dia. E, todo aquele que o ouve, cedo ou tarde, encontra dentro de si o vestígio dessa verdade.

    Dom Lindomar Rocha Mota
    Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)

    Fonte: Cnbb
    https://www.cnbb.org.br

  • Deus rejeita a oração de quem faz a guerra, afirma o papa Leão XIV 30/03/2026 Deus rejeita a oração de quem faz a guerra, afirma o papa Leão XIV

    O papa Leão XIV condenou hoje (29), na missa do Domingo de Ramos na praça de São Pedro, no Vaticano, o uso da religião para justificar conflitos e afirmou a figura de Jesus Cristo "como Rei da Paz", mesmo "enquanto à Sua volta se prepara a guerra".
    “Como Rei da Paz, Jesus quer reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque «Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14)”, disse o papa na missa.

    Primeira Semana Santa de Leão XIV

    O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa e comemora a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. É o primeiro grande evento litúrgico deste período, numa Semana Santa especialmente significativa por ser a primeira sob o pontificado do papa Leão XIV.
    Nestes dias, ele celebrará a tradicional Via Sacra no Coliseu, em Roma, e retomará a celebração da missa da Quinta-feira Santa na basílica de são João de Latrão, sua catedral como bispo de Roma. O papa está, assim, retomando uma prática diferente da de seu antecessor, Francisco, que preferia celebrá-la em prisões ou abrigos para migrantes.
    Leão XIV participou da procissão do obelisco central da praça de São Pedro até o altar, acompanhado por cardeais, bispos e centenas de sacerdotes que concelebraram a missa junto com religiosos e milhares de fiéis, carregando ramos de oliveira e palmas.
    Tal como nos anos anteriores, as palmeiras e os ramos de oliveira foram oferecidos ao Vaticano por entidades italianas, enquanto as chamadas "palmeiras fênix", maiores e sem trançado, foram doadas pelo Caminho Neocatecumenal.
    A esses juntaram-se os tradicionais palmurelli, pequenos ramos de palmeira trançados à mão, que muitos fiéis carregavam consigo. No início da celebração, o papa procedeu à sua bênção.

    Jesus, um carinho para a humanidade

    Em sua homilia, o papa falou sobre a jornada de Jesus até a Cruz, dizendo que Deus "se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto outros empunham espadas e paus".
    “Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra”, disse Leão XIV. “Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência”.
    O papa também falou sobre o episódio do Evangelho em que Simão Pedro desembainha a espada para defender Jesus e fere o servo do sumo sacerdote, dizendo que "imediatamente Ele o detém, dizendo: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada» (Mt 26, 52)".
    Assim, ele falou sobre a incompatibilidade entre fé e violência: “Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue» (Is 1, 15)”, disse Leão XIV, citando o profeta Isaías.
    Diante da Cúria Vaticana, o papa falou sobre a imagem de Cristo como servo sofredor que, “enquanto era carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas culpas”, se humilhou. “Ele «não abriu a boca,
    como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53, 7)”, disse Leão XIV, citando novamente o profeta Isaías, que predisse a vinda de Jesus Cristo em grande detalhe, centenas de anos antes do Seu nascimento.
    “Não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”
    “Ele não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”, disse Leão XIV. “Manifestou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a violência, e, em vez de se salvar a si mesmo, deixou-se cravar na cruz, para abraçar todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da humanidade”.
    O papa disse também que, ao contemplarmos Cristo crucificado, "vemos os crucificados da humanidade".
    Em Suas feridas, disse Leão XIV, “vemos as feridas de tantas mulheres e homens de hoje. No seu último grito dirigido ao Pai ouvimos o choro de quem se encontra abatido, sem esperança, doente, sozinho. E, sobretudo, ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra”.
    Numa cerimônia solene, rodeado por ramos de oliveira e palmeiras, o papa antecipou o tema central de sua mensagem para esta Semana Santa: a paz. “Deus é amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!”, disse ele.
    Em sua homilia, o papa também citou o bispo italiano Antonio Bello (1935-1993), conhecido como o “bispo dos pequeninos” por seu compromisso com os pobres, a justiça social e o pacifismo. O bispo Bello, declarado venerável em 2021 pelo papa Francisco, presidiu a Pax Christi Itália e liderou uma marcha histórica pela paz em Sarajevo em 1991, no auge da Guerra dos Balcãs.

    Fonte: ACI Digital
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  • O que é o jejum e por que é importante na Semana Santa 30/03/2026 O que é o jejum e por que é importante na Semana Santa

    O que é o jejum e por que é importante para os cristãos, especialmente durante o tempo da Quaresma e da Semana Santa?
    O jejum, disse padre Donato Jiménez, membro da Ordem dos Agostinianos Recoletos, ao Grupo ACI, “é uma forma de abster-se de alimentos corporais, e é uma forma de penitência e de oração. Jesus praticou o jejum em momentos importantes, antes de rezar, antes de escolher os apóstolos e em muitas ocasiões”.
    “E a Igreja faz o jejum desde o século IV de forma regular”, disse.
    “É uma maneira de ajudar a oração, de purificar o nosso corpo e, assim, nos dispormos melhor para a escuta de nossa oração por Deus”.
    A Igreja, continuou o padre Jiménez, nos recorda “o jejum no tempo da Quaresma e do Advento, especialmente na terça e na sexta-feira, como faziam tradicionalmente em muitas comunidades”.
    Atualmente, disse, a obrigação do jejum se mantém “na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa”.
    O sacerdote disse que “o jejum é fazer apenas uma refeição por dia, ou se comemos duas ou três vezes por dia deve ser uma alimentação frugal. Isso seria o jejum que a Igreja quer”.

    Quem deve jejuar?

    Segundo indica o Código de Direito Canônico, no número 1252, à lei do jejum “estão sujeitos todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos. Todavia os pastores de almas e os pais procurem que, mesmo aqueles que, por motivo de idade menor não estão obrigados à lei da abstinência e do jejum, sejam formados no sentido genuíno da penitência”.

    Quem não jejua?

    Além das pessoas que não jejuam devido à sua idade, pessoas com problemas mentais, doentes, mulheres grávidas ou lactantes, trabalhadores de acordo com as suas necessidades, convidados a refeições que não podem ser justificadas sem ofender gravemente ou outras situações morais ou impossibilidade física de manter o jejum.

    Fonte: ACI Digital
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  • A Páscoa do Senhor em São João por Santo Agostinho 27/03/2026 A Páscoa do Senhor em São João por Santo Agostinho

    A Igreja celebra a Páscoa do Senhor como o ponto central da vida de Jesus em vista da salvação humana. É o mistério do amor, da doação do Senhor por nós e pela humanidade. Para voltar ao Pai era necessário que o Filho do Homem, Filho de Deus passasse pela paixão, morte e ressurreição. Jesus tinha consciência desta passagem fundamental sem a qual não teria a redenção humana. Nos próximos dias celebraremos os mistérios que proporcionaram vida em abundância, pois teremos presentes o amor de Deus a nós e a toda a humanidade; “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único” (Jo 3,16). A seguir nós teremos a visão de Páscoa em Santo Agostinho, a partir do evangelista São João, o discípulo amado do Senhor.

    A Páscoa tem significado de passagem

    Santo Agostinho teve presente o capitulo 13 de São João onde se diz que “Jesus antes da festa da Páscoa, sabendo que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (cfr. Jo 13, 1). Para ele entra aqui os significados de Páscoa, que se de um lado vem do grego páschein, padecer[1], de outro lado a Páscoa tem o significado na sua verdadeira língua, a hebraica, a qual diz respeito à passagem, uma vez que o povo de Deus celebrou a Páscoa no momento em que as pessoas fugiam do Egito ao passar pelo Mar Vermelho (cf. Ex 14,29). O tempo completou-se onde Jesus seria conduzido como ovelha ao matadouro, para o único sacrifício e perfeito (cf. Is 53,7). Qual seria a passagem que Jesus iria realizar? A passagem dele foi deste mundo ao Pai[2], de modo que Ele passou pelo sofrimento, pela cruz para chegar à glória da ressurreição. A Páscoa possui o significado da passagem do Senhor deste mundo para a vida divina.

    Ele teve um amor grande, até o fim

    O amor do Senhor não teve limites para com os seus e para o gênero humano, indo até o fim. O Bispo de Hipona afirmou que o fim do qual o evangelista afirmou, trata-se daquele que leva à plenitude, não de um fim que aniquila, perece, mas do fim de um amor sem limites[3]. É um amor segundo as palavras evangélicas que podem ser tomadas também num sentido humano, segundo o qual se diz que Jesus amou os seus até o fim pois os amou até a morte[4]. É evidente que o amor de Jesus não se esgota pela morte; Ele sempre nos amou e nos ama até o fim para significar um amor que não mediu palavras e ações[5].

    O Pai pusera tudo nas mãos  de Jesus

    O Evangelista São João afirmou que o Pai pusera tudo nas mãos de seu Filho, Jesus, que o diabo pusera no coração de Judas o propósito de entregá-lo, que Ele viera de Deus e a Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs o manto, tomou uma toalha, cingiu-se com ela e começou a lavar os pés de seus discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido (cf. Jo 13,2-5)[6]. Jesus não fez este gesto maravilhoso no fim, mas durante a ceia, pois Ele tornou a sentar-se à mesa, significando a necessidade do serviço como doação de si mesmo, para o próximo e para Deus.

    O projeto de entregar Jesus

    São João afirmou que Judas queria entregar Jesus às autoridades tendo presente o diabo que pusera isso no coração dele para entregar Jesus[7]. Segundo Santo Agostinho esta ação de pôr era uma sugestão espiritual, não do ouvido, era pelo pensamento, não era do corpo, mas era do espírito. Santo Agostinho levantou a pergunta como é possível que as diabólicas sugestões se introduzam e se misturem com os pensamentos humanos? A resposta vem quando o consentimento que presta a mente humana a cada uma das sugestões por mérito humano o fará se tiver sido abandonada pelo auxílio divino, ou por obra da graça. Já tinha sido posto no coração de Judas, por ação diabólica, que o discípulo entregasse o Mestre que ele não aprendera tratar-se de Deus. Na verdade Judas foi ao banquete como espião do Pastor, segundo o bispo de Hipona, como quem espreita o Salvador, e vende o Redentor. Viera nesta condição, e pensava que fosse ignorado, pois não pode enganar Aquele a quem pretendia enganar. No entanto Jesus percebeu o pensamento e a ação de Judas que iam se realizar contra o Senhor[8].

    O gesto humilde do Senhor

    Como foi dito, Jesus levantou-se da mesa, depôs o manto, tomou uma toalha, cingiu-se com ela. Colocou em seguida água numa bacia e começou a lavar-lhes os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com quem estava cingido (cf. Jo 13, 5). O evangelista quis enaltecer seja a humildade de Jesus servidor das pessoas e da humanidade, como também enaltecer a sua excelsitude[9]. Tendo presente que o Pai pôs tudo em suas mãos, Ele não lavou as mãos dos discípulos, mas sim os seus pés. Ele exerceu o serviço de quem era escravo[10], demonstrando o amor pelo serviço essencial que aconteça na vida da comunidade.
    A atitude de Jesus foi aquela de uma grande humildade, no sentido de que Deus era, é o Encarnado, assumindo todas as coisas referentes à humanidade na maior simplicidade da vida. Ele lavou também os pés de Judas, aquele que deveria trair a Jesus, demonstrando um grande grau de humildade, cujas mãos Ele antevia já comprometidas com o crime[11].
    Jesus estava próximo de sua paixão, morte e ressurreição. Com o gesto do lava-pés ensinou aos seus discípulos e a todos nós, a importância do serviço, da vivência da humildade, fazendo perecer para sempre a vaidade, o orgulho das pessoas, de suas autoridades, para enaltecer a caridade e o amor entre as pessoas, com Deus[12]. A Páscoa é passagem do mistério da encarnação, paixão, morte, ao mistério da glória da ressurreição e a sua entrada à direita do Pai.


    [1] Cfr. Homilia 55,1. O amor até o fim.  In: Santo Agostinho. Comentários a São João II. Evangelho – Homilias 50-124. São Paulo: Paulus, 2022, pg. 73.
    [2] Cfr. Idem, pg. 74.
    [3] Cfr. Ibidem, n. 2, pg. 75.
    [4] Cfr. Ibidem.
    [5] Cfr. Ibidem, pgs. 75-76.
    [6] Cfr. Ibidem, n. 03, pg. 76.
    [7] Cfr. Ibidem, n. 04, pg. 76.
    [8] Cfr Ibidem, pg. 77.
    [9] Cfr. Ibidem, n. 6. Pg. 78.
    [10] Cfr. Ibidem.
    [11] Cfr. Ibidem.
    [12] Cfr. Ibidem, n. 7, pg. 79.


    Fonte: Vatican News
    https://www.vaticannews.va

  • A Inteligência Artificial a serviço da paz, por Dom Oriolo 27/03/2026 A Inteligência Artificial a serviço da paz, por Dom Oriolo

    No último dia 28 de fevereiro, tomamos conhecimento do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã. Para muitos especialistas, esse embate tem sido marcado pelo uso da Inteligência Artificial (IA), definindo o que chamam de guerra tecnológica. A imprensa norte-americana afirma que os EUA estão utilizando tecnologia avançada em confrontos armados contra o Irã. Segundo o Wall Street Journal, o exército americano não revelou como o assistente foi empregado na operação atual, mas confirmou que costuma usar a IA para avaliações de inteligência, identificação de alvos e simulação de cenários de batalha.
    Destarte, americanos e israelenses utilizam, de forma inédita, a inteligência artificial para escolher alvos militares. Os sistemas computacionais realizam análises integradas a várias fontes de dados (satélites, mensagens e ligações) em tempo real, fornecendo direcionamento tático e conclusões precisas em apenas alguns segundos. Por outro lado, a principal arma dos iranianos são os drones com sistemas de reconhecimento visual integrados. Essas aeronaves atingiram um alto grau de precisão em ataques na região do Golfo; operando como quadricópteros que se lançam contra alvos em missões camicases (pilotos japoneses que realizavam ataques suicidas com aviões carregados de explosivos contra navios aliados na Segunda Guerra Mundial). Os drones possuem mapas detalhados e capacidade de identificação visual em tempo real.
    Nessa realidade, percebemos como a autonomia da Inteligência Artificial pode prejudicar a prosperidade da autonomia humana. O propósito da IA deveria ser o oposto: fomentar as capacidades humanas e servir como ferramenta para a promoção de uma cultura de paz. Diante desse cenário tecnológico, torna-se urgente o despertar de uma consciência global que priorize a cultura da paz em vez do conflito.
    Historicamente, os relatos de nossos antepassados e os livros de história focam muito mais nos feitos da guerra do que nas conquistas da paz; narramos nossa trajetória em termos de conflitos. Como bem alertou John Kennedy: “A humanidade deve pôr fim à guerra, ou a guerra porá fim à humanidade”. Assim, somos chamados ao desafio de converter o uso da IA transformando-a em aliada para que possamos atuar como verdadeiros profetas e promotores da paz.
    O destino da IA oscila entre dois extremos: o potencial para a guerra, como vemos hoje, e a capacidade de promover a paz ao prever conflitos. No entanto, essa evolução exige cautela, pois ferramentas que deveriam proteger a humanidade podem degenerar em sistemas de vigilância invasivos ou armas autônomas fora de supervisão humana
    Embora a Inteligência Artificial tenha sido aplicada em cenários de guerra, ela possui um potencial igualmente vasto para a mediação e solução de conflitos. Algoritmos éticos, quando devidamente programados, podem propor soluções diplomáticas que priorizam a dignidade humana acima de interesses estratégicos. Considerando que a história é repleta de registros sobre guerras, dispomos de um volume massivo de dados que a IA pode processar para identificar padrões, prevenir tensões e antecipar crises antes que se convertam em violência física. Além disso, esses sistemas podem ser empregados para monitorar o cumprimento de acordos de paz, integrando-se aos princípios que promovem a sacralidade da vida e a fraternidade universal, transformando a tecnologia em uma aliada na construção de uma verdadeira cultura de paz.
    Diante de um cenário onde a inteligência artificial redefine as fronteiras do conflito, o mundo clama por homens e mulheres smart — não apenas dotados de inteligência técnica, mas impregnados da paz de Cristo. A verdadeira autonomia humana se manifesta quando escolhemos derrubar os muros da separação e do ódio, permitindo que o Shalom floresça como uma presença viva entre nós, como nos ensina a bem-aventurança: "Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5,9). Esta promessa é o alicerce para que a tecnologia deixe de ser um instrumento de precisão bélica e se torne um instrumento de paz.
    A paz, portanto, não é um evento passivo, mas uma construção que espera por seus profetas e construtores. Para papa Leão XIV é “a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante”, como afirma na sua mensagem para o dia LIX Dia Mundial da Paz.
    Ela simboliza aquela tranquilidade e bem-estar integral que provém de Deus, restaurando relações e estabelecendo a harmonia tanto no mundo quanto na alma. Ser um profeta da paz nesta era digital significa converter a extraordinária aspiração de todos os povos em uma realidade concreta, garantindo que a inteligência humana, guiada pela ética e pelo amor, sempre prevaleça sobre a lógica das máquinas para o bem da humanidade.


    Dom Oriolo
    Bispo da Igreja Particular de Leopoldina MG

    Fonte: Vatican News
    https://www.vaticannews.va

  • Diocese de Baturité é instalada no Ceará, a primeira criada por Leão XIV no Brasil 27/03/2026 Diocese de Baturité é instalada no Ceará, a primeira criada por Leão XIV no Brasil

    A diocese de Baturité (CE) foi instalada ontem (25) durante celebração na Paróquia Nossa Senhora da Palma, que a partir de agora passa a ser a catedral da nova diocese. Criada pelo papa Leão XIV em 1º de janeiro, a nova circunscrição eclesiástica reúne 14 municípios e 21 paróquias antes vinculadas à arquidiocese de Fortaleza (CE). Dom Luís Gonzaga Silva Pepeu, OFMCap, é o primeiro bispo.
    “Chego como irmão de todos, sobretudo como franciscano capuchinho. Como pastor, como pai e guia desta porção de Deus que nos foi confiada pela Igreja”, disse dom Pepeu, como o bispo é conhecido, em coletiva de imprensa ontem. “Nossa prioridade é conhecer. Conhecer o povo, as pessoas, a realidade, escutar e caminharmos juntos. Vivemos uma Igreja sinodal, e para caminhar juntos é preciso ouvir”.
    “A instalação de uma nova diocese é um reconhecimento do fortalecimento da própria Igreja aqui. É fruto do trabalho de todos os que fazem parte da história e da missão da Igreja em Baturité e das paróquias que compõem a nova diocese”, disse o arcebispo de Salvador (BA) e primaz do Brasil, cardeal Sérgio da Rocha, quem representou o papa Leão XIV e presidiu o rito de posse, na coletiva de imprensa.
    Segundo dom Sérgio, o desejo por uma diocese própria em Baturité é antigo. O arcebispo de Fortaleza (CE), dom Gregório Paixão, OSB, reforçou essa ideia dizendo que “o que nós estamos vivendo é o sonho de muitos corações. Confesso que fiquei profundamente feliz. O papa Leão XIV nos deu essa graça em tempo recorde”. Segundo ele, iniciativas anteriores não avançaram por causa das dificuldades de comunicação e deslocamento na região.
    "Não é apenas um momento histórico, mas um desejo de Deus sonhado por tantos corações. É uma alegria imensa, de toda a Igreja, pois todas as vezes que um lugar recebe uma igreja particular, toda a fé se une em oração e alegria. Por saber que o povo será ainda mais visto, cuidado e amado", disse dom Gregório.

    A cerimônia de instalação

    A programação da instalação da diocese começou no Palácio Entre Rios, onde dom Pepeu recebeu cumprimentos de autoridades civis. Em seguida, o bispo caminhou até a catedral acompanhado por dom Sérgio e por dom Gregório.
    Os fiéis lotaram a praça em frente à igreja matriz praça para acolher o novo bispo. Na chegada à catedral, o pároco, padre José Benício Nogueira, fez a recepção oficial. Antes dos ritos de posse, dom Pepeu rezou na Capela do Santíssimo e visitou o local onde estão os restos mortais da serva de Deus irmã Clemência de Oliveira.
    A cerimônia de posse foi celebrada pelo cardeal Sérgio da Rocha, que representou o papa Leão XIV.
    Durante a solenidade, foi feita a leitura das Letras Apostólicas: a Bula de Instalação da Diocese de Baturité; a Bula de Nomeação do primeiro Bispo de Baturité; a bênção da Cátedra de Baturité; a entrega da Cátedra e do Báculo ao primeiro Bispo Diocesano; e a saudação de alguns representantes do clero, das autoridades civis e dos leigos ao novo arcebispo. À noite, a programação foi concluída com a celebração da missa por dom Pepeu.
    Para dom Pepeu, a data da instalação é cheia de significados, pois “acontece na solenidade da Anunciação do Senhor e nos 800 anos do trânsito de São Francisco de Assis, tão venerado nesta região”.
    Com Baturité, o Ceará passa a contar com 10 circunscrições eclesiásticas. A última criação de dioceses no estado havia ocorrido em 1971, quando surgiram as dioceses de Itapipoca, Quixadá e Tianguá.

    Estrutura e território da nova diocese

    A diocese de Baturité abrange os municípios de Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Canindé, Caridade, Guaramiranga, Mulungu, Pacoti, Ocara, Palmácia, Paramoti e Redenção.
    Conta com 21 paróquias, entre elas o Santuário de São Francisco das Chagas, em Canindé, maior santuário franciscano do Brasil e o segundo maior do mundo. Ele é um dos maiores centros de peregrinação do país, recebendo romeiros o ano inteiro.
    A diocese tem 28 padres diocesanos, 11 padres religiosos, um diácono permanente, seis seminaristas, 10 religiosos e 31 religiosas. A população estimada é de 298 mil habitantes, dos quais cerca de 239,5 mil são católicos. O território é de cerca de 7 mil quilômetros quadrados.

    Fonte: ACI Digital
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  • Veja a resposta para quem acredita que não tem nada a confessar 27/03/2026 Veja a resposta para quem acredita que não tem nada a confessar

    Você não tem que se aproximar do sacramento da Reconciliação porque você não tem nada a confessar? E se o verdadeiro perigo espiritual não fosse mais a culpa excessiva, mas o próprio esquecimento do pecado? Já em 1984, o Papa São João Paulo II estava preocupado com uma mudança cultural que causava uma perda do sentido do pecado.
    O homem moderno, afirmou, sofre uma "deformação da consciência" causada pela secularização generalizada. Esta deformação observada pelo Santo Padre só se acelerou nas décadas seguintes. Hoje em dia, é comum pensar que, seguindo a consciência, é impossível fazer mal.
    Esse papel central da consciência individual leva o homem a justificar todos os seus comportamentos e, portanto, raramente considera que ele agiu mal. Por outro lado, é fácil se convencer de que você age de acordo com a própria consciência, independentemente de como os outros percebem nossas ações, e assim se isentar de toda culpa.
    João Paulo II denunciou essa dormência da consciência como um problema sério. "Quando a consciência enfraquece", escreveu, "o sentido de Deus também se escurece".

    Cair na apatia e no relativismo

    Embora para alguns seja necessário lutar mais contra a escrupulosidade excessiva, a maioria dos cristãos é mais tentada por uma frouxidão que os leva a abandonar os confessionários, por falta de ideias sobre os pecados que devem confessar. A sociedade atual também incentiva essa tendência, e alguns chegam até a questionar a realidade do pecado, estabelecendo como único limite moral não prejudicar os outros de forma intencional.
    No entanto, ignorar a própria responsabilidade e ignorar o pecado é especialmente prejudicial, pois leva a uma espiral de pecados difícil de conter. Além disso, sem um objetivo ou um ideal moral a alcançar, o homem acaba mergulhando na apatia ou no relativismo.

    Um problema espiritual

    Recusar-se a reconhecer o próprio pecado é também negar a própria fraqueza e, portanto, a própria necessidade de misericórdia. Sem pecado, que perdão e que libertação se pode esperar de Deus? E que relação pode ser estabelecida com Ele se alguém se acredita perfeito e irrepreensível? Por isso, a frouxidão revela um verdadeiro problema espiritual e uma negação da própria humanidade pecaminosa.
    Relaxar os esforços e ser frouxo com os próprios pecados corre o risco de conduzir por aquele caminho largo "que leva à perdição" e que Jesus descreve no Evangelho (Mt 7, 13). Pelo contrário, para se aceitar e conhecer a si mesmo, é importante passar pela "porta estreita", que obriga a assumir a responsabilidade diante do pecado e deixar de lado o orgulho que cega.
    É um caminho longo e difícil, mas é o da verdadeira felicidade, que leva a Deus. É por aí que se pode aceitar o perdão do Senhor e se abrir à esperança.

    Algumas dicas práticas

    Para avançar nesse caminho, aqui estão várias dicas e recursos que podem ser muito úteis. Em primeiro lugar, faça a si mesmo perguntas certas: Em que aspectos posso melhorar? Quais são os pecados que eu cometo regularmente?
    Pode ser útil usar um folheto ou um recurso online para guiá-lo em seu exame de consciência. Muitas vezes, esses cadernos são baseados nos Dez Mandamentos, nas Bem-aventuranças ou no tríptico sobre os pecados contra mim mesmo, contra Deus e contra os outros. Esses recursos ajudam a lembrar certas ações que podem ter sido cometidas, oferecem pistas concretas para identificar pecados recorrentes e trazem à luz alguns pecados cuja existência era desconhecida.
    A partir daí, pode ser interessante levar um pequeno caderno de exame de consciência, que é preenchido todas as noites, para perceber a frequência e a gravidade de certos pecados na própria vida. Este caderno é também uma oportunidade para refletir mais profundamente sobre os pecados menos visíveis, as motivações ocultas, os pensamentos impróprios e os apegos desordenados.
    O objetivo não é escrupulosidade, mas maior lucidez e sinceridade consigo mesmo. Quanto mais Deus ama uma pessoa, mais deseja entregar-se completamente a Ele, e até os menores pecados o perturbam.

    Leia o Catecismo

    Outro método também pode consistir em ler o Catecismo e livros sobre os santos, pois isso pode ajudar a formar a própria consciência sobre certos temas. À ver mais educado e ter se aprofundado mais no que é o pecado, é mais fácil erradicá-lo da própria vida.
    As orações ao Espírito Santo também são muito benéficas. É hora de lhe pedir especialmente o dom da sabedoria, do conselho e do temor de Deus. É um passo simples, mas essencial, para se preparar para a confissão. Deus conhece cada um melhor do que a si mesmo, e sua luz ilumina as consciências obscurecidas.
    Por outro lado, você só pode ser sincero no confessionário se estiver disposto a ser sincero consigo mesmo. Portanto, devemos aceitar a própria vulnerabilidade e reviver momentos da vida que preferimos esquecer. Lembrar-se dos próprios pecados é vergonhoso, às vezes doloroso, e pode reabrir velhas feridas. No entanto, só é possível crescer e acolher a misericórdia de Deus enfrentando-os.
    "    O tempo de penitência é uma oportunidade para enfrentar as próprias fraquezas com honestidade, pois o Senhor pode libertá-lo delas e perdoá-lo. Não há pecados insignificantes"
    Finalmente, aqui está um método ignaciano muito reconhecido para tomar consciência do próprio pecado. Santo Inácio de Loyola mostra que os pecados que parecem insignificantes podem adquirir uma importância totalmente diferente se considerados de outro ponto de vista.
    Ele nos convida a fazer estas perguntas: eu me sentiria confortável com esta ou aquela ação se tivesse que comparecer logo diante do Criador? Eu teria vergonha, ao morrer, de ter agido assim? Do que vou me arrepender?
    Neste tempo de Quaresma, o objetivo não é uma vão autoflagelação. Este tempo de penitência é, pelo contrário, uma ocasião para enfrentar as próprias fraquezas com honestidade, pois o Senhor pode nos libertar delas e nos perdoar. É o caminho que leva não só à felicidade na vida após a morte, mas também a uma verdadeira realização pessoal nesta vida.
    Isso é o que os cristãos celebram especialmente na Páscoa. Para se preparar para esta grande festa, o que é melhor do que enfrentar a própria pequenez para pedir a infinita misericórdia de Deus e viver a Páscoa com a alegria de ser totalmente perdoado?

    Fonte: Aleteia
    https://pt.aleteia.org

  • Fé é confiar em Deus mesmo quando o céu faz silêncio 27/03/2026 Fé é confiar em Deus mesmo quando o céu faz silêncio

    Para muitas pessoas, esses momentos são os mais difíceis para a fé. Porque é fácil confiar quando as coisas estão dando certo, quando as portas se abrem, quando os caminhos parecem claros. O verdadeiro desafio da fé aparece justamente quando tudo parece incerto.
    Quando não entendemos o que está acontecendo. Quando os planos mudam. Quando as respostas não chegam no tempo que gostaríamos.
    Mas talvez seja justamente aí que a fé revela sua forma mais profunda. Fé não é a certeza de que tudo acontecerá exatamente como imaginamos. Fé é continuar caminhando mesmo sem enxergar todo o caminho. É confiar que, mesmo quando não compreendemos, existe um sentido sendo construído.

    Tornar o silêncio um recurso e não um sentimento insuportável

    Há um tipo de silêncio que não significa abandono. Às vezes, o silêncio de Deus é também um convite para que amadureçamos, para que olhemos mais profundamente para dentro de nós mesmos, para que descubramos forças que ainda não sabíamos que existiam.
    O silêncio também educa o coração. Ele nos ensina a esperar, a confiar, a reconhecer que a vida não é totalmente controlável e que, mesmo assim, ela continua sendo cheia de sentido.
    Muitas vezes, quando olhamos para trás, percebemos que aquele período em que tudo parecia parado foi, na verdade, um tempo de transformação silenciosa. Algo estava sendo preparado dentro de nós: mais paciência, mais profundidade, mais sensibilidade para aquilo que realmente importa.
    A fé amadurece nesse espaço entre o pedido e a resposta, entre a dor e a esperança, entre o silêncio e a confiança.
    E confiar não significa negar o sofrimento. Não significa fingir que está tudo bem. Confiar também é poder dizer: “Eu não entendo o que está acontecendo, mas sigo acreditando que minha história não está perdida.”
    A fé não elimina as perguntas, mas sustenta o coração enquanto as respostas ainda não chegam.
    E é importante lembrar que confiar também envolve cuidar de si. Em muitos momentos da vida, precisamos de pessoas que caminhem conosco, que nos ajudem a organizar sentimentos, compreender dores e encontrar novos significados para aquilo que estamos vivendo.
    Nesse sentido, o acompanhamento psicológico com um bom profissional pode ser um apoio muito valioso. A psicoterapia não substitui a fé, mas pode fortalecer o coração para atravessar períodos difíceis, ajudando a pessoa a compreender sua própria  história, reconstruir a esperança e encontrar caminhos mais saudáveis para seguir.
    Às vezes, Deus fala no silêncio. Outras vezes, Ele fala através dos encontros que a vida coloca no nosso caminho.
    E, mesmo quando o céu parece quieto, a vida continua sendo conduzida por um sentido que, pouco a pouco, vai se revelando para quem permanece confiando.

    Fonte: Aleteia
    https://pt.aleteia.org

  • Reze com a CNBB pelo desarmamento e pela paz, em 19 de março 17/03/2026 Reze com a CNBB pelo desarmamento e pela paz, em 19 de março

    A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se une ao Papa Leão XIV, no próximo dia 19 de março, Solenidade de São José, para rezar pelo desarmamento e pela paz. Os fiéis de todo o Brasil são convidados para este momento de oração, rezando a prece sugerida pela Rede Mundial de Oração do Papa nas celebrações eucarísticas ou em outros momentos de oração nas comunidades.

    A CNBB pede que os fiéis e suas comunidades coloquem em suas intenções as populações atingidas pela violência, para que o Senhor inspire os responsáveis pelas nações a escolherem os caminhos do entendimento, da reconciliação e do respeito à dignidade de todos os povos.
    "“Que em nossas comunidades se eleve um só clamor a Deus: que os corações sejam desarmados, que as armas se calem e que a paz floresça entre os povos”, sugere a CNBB."
    Na sede da Conferência Episcopal, haverá uma programação especial para elevar preces a Deus junto com toda a Igreja. Às 7h30, haverá a oração das Laudes; às 11h30, Missa Solene; e às 16h30, oração do Ofício Divino.

    Você pode compartilhar o momento de oração, marcando a CNBB (@cnbbnacional) nos stories do Instagram.

    Confira a oração:

    “Reza com o Papa – Março: Pelo desarmamento e pela paz”

    Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

    Senhor da Vida,
    que moldastes cada ser humano à vossa imagem e semelhança,
    acreditamos que nos criastes para a comunhão, não para a guerra,
    para a fraternidade, não para a destruição.

    Tu, que saudastes os teus discípulos dizendo: “A paz esteja convosco”,
    concede-nos o dom da vossa paz
    e a força para torná-la realidade na história.
    Hoje elevamos a nossa súplica pela paz no mundo,
    pedindo que as nações renunciem às armas
    e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia.

    Desarmai os nossos corações do ódio, do rancor e da indiferença,
    para que possamos ser instrumentos de reconciliação.
    Ajudai-nos a compreender que a verdadeira segurança
    não nasce do controle que alimenta o medo,
    mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos.

    Senhor, iluminai os líderes das nações,
    para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte,
    parar a corrida ao armamento
    e colocar no centro a vida dos mais vulneráveis.
    Que nunca mais a ameaça nuclear condicione o futuro da humanidade.

    Espírito Santo,
    fazei de nós construtores fiéis e criativos de paz cotidiana:
    em nosso coração, em nossas famílias,
    em nossas comunidades e em nossas cidades.

    Que cada palavra amável, cada gesto de reconciliação
    e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo.

    Amém.

    Fonte: Cnbb
    https://www.cnbb.org.br

  • Desafios da moradia digna no Brasil 17/03/2026 Desafios da moradia digna no Brasil

    A luta por moradia digna no Brasil acompanha a história do país e mobiliza, há décadas, movimentos sociais, associações e iniciativas da sociedade civil em defesa das populações mais pobres. Nesse contexto, a Pastoral da Moradia e Favela tem atuado para fortalecer a organização popular e incentivar ações em favor do direito à casa própria e a melhores condições de vida nas periferias.

    Uma das responsáveis por sugerir o tema da Campanha da Fraternidade 2026 – “Fraternidade e Moradia” -, a pastoral busca ampliar o debate sobre o direito à moradia no país. Para aprofundar o assunto, a Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conversou com frei Marcelo Guimarães, coordenador nacional da Pastoral da Moradia e Favela e responsável pelo serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Frades Capuchinhos do Brasil, além de assessor da Comissão de Justiça e Paz do regional Sul 1 da CNBB.

    Direito historicamente negado

    Segundo frei Marcelo, o primeiro aspecto a ser considerado ao tratar da moradia no Brasil é o caráter histórico da negação desse direito.
    "    “O Brasil teve um marco terrível de mais de 400 anos de escravidão. Quando esse sistema termina oficialmente, também são negados aos ex-escravizados direitos fundamentais, como acesso à terra e à moradia. Esse processo contribui para o surgimento das favelas e para a desigualdade urbana que ainda vemos hoje”, afirma."
    De acordo com o religioso, atualmente cerca de um terço da população brasileira vive em algum tipo de precariedade habitacional. Ele aponta que aproximadamente 6 milhões de famílias – cerca de 10% da população – necessitam imediatamente de moradia digna, seja porque vivem em condições muito precárias, pagam aluguel elevado ou dependem de moradia cedida por terceiros.

    Além disso, cerca de 26 milhões de famílias, o que representa aproximadamente 80 milhões de pessoas, vivem em condições consideradas inadequadas nas cidades brasileiras.

    Estrutura fundiária e políticas públicas

    Frei Marcelo destaca que a concentração de terras é um fator estrutural que contribui para o problema da moradia no Brasil.
    "    “O país foi organizado com a terra concentrada nas mãos de poucos, tanto no campo quanto nas cidades. A terra sempre foi muito disputada e valorizada, o que dificulta o acesso da população mais pobre”, explica."
    Para enfrentar esse cenário, ele afirma que o país necessita de políticas habitacionais mais robustas. O frade reconhece a importância de programas públicos como o Minha Casa, Minha Vida, mas ressalta que ainda existe um grande déficit habitacional.
    "    “Não basta apenas produzir novas casas. É importante também fortalecer modelos de participação popular, como a modalidade de autogestão por entidades, que permite maior envolvimento das próprias comunidades”, afirma."
    Outro ponto destacado por frei Marcelo é o paradoxo existente no país: ao mesmo tempo em que milhões de famílias precisam de moradia, existem cerca de 12 milhões de imóveis vazios no Brasil.
    "    “Há instrumentos previstos na legislação brasileira, como o IPTU progressivo e outros mecanismos urbanos, que poderiam incentivar o uso social desses imóveis e direcionar recursos para a habitação popular”, explica."

    Moradia como direito fundamental

    Para o coordenador da pastoral, a moradia deve ser compreendida como um direito básico, comparável ao acesso à alimentação.
    "    “Sem carro a gente vive, especialmente com transporte público. Mas sem moradia não. Moradia é tão essencial quanto o alimento”, afirma."
    Ele observa ainda que, embora a população mais pobre seja a mais afetada, o alto custo da moradia também impacta a classe média.
    "    “Hoje morar no Brasil é muito caro. A especulação imobiliária tem aumentado e isso exige que repensemos também o modelo de cidade em que vivemos”, destaca."
    Nesse contexto, frei Marcelo considera fundamental a contribuição da Campanha da Fraternidade para sensibilizar a sociedade e mobilizar comunidades eclesiais.
    "    “A Campanha nos ajuda a nos aproximar das periferias e das realidades mais fragilizadas, onde muitas vezes a presença da Igreja ainda é limitada. É uma oportunidade de caminhar juntos e construir soluções concretas”, avalia."

    Organização da Pastoral da Moradia e Favela

    A Pastoral da Moradia e Favela tem como missão incentivar e apoiar lideranças que atuam na defesa do direito à moradia. Embora existam experiências mais antigas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a articulação nacional é relativamente recente.

    Segundo frei Marcelo, a organização atual da pastoral surgiu como fruto da 6º Semana Social Brasileira, realizada entre 2022 e 2023.
    "    “Desde então, cerca de 30 grupos estão em processo de formação em arquidioceses e dioceses pelo país. Estamos aprendendo os caminhos e identificando pessoas que tenham perfil e interesse nessa missão”, explica."
    A atuação da pastoral inclui presença em áreas de periferia, acompanhamento de comunidades em situação de risco, apoio a famílias ameaçadas por despejos e acompanhamento de realidades afetadas por enchentes ou deslizamentos.

    A meta, segundo o coordenador, é ampliar significativamente essa rede.
    "  “Queremos chegar a 300 equipes, para que cada diocese ou arquidiocese tenha um grupo da pastoral. Essas equipes poderão dialogar com a realidade local e também fortalecer núcleos nas periferias”, afirma."

    Gesto concreto de solidariedade

    Um dos momentos mais importantes da Campanha da Fraternidade é a Coleta Nacional da Solidariedade, realizada nas comunidades católicas de todo o país. Em 2026, a coleta acontece nos dias 28 e 29 de março.

    De acordo com frei Marcelo, os recursos arrecadados apoiam projetos sociais e iniciativas que atuam junto às populações mais vulneráveis.
    "    “É um gesto simples, mas muito concreto. Centenas de entidades desenvolvem projetos significativos nas periferias e recebem apoio por meio desses recursos”, afirma."
    Ele também destaca que a contribuição pode ajudar a fortalecer iniciativas locais nas próprias paróquias, como reformas de moradias, ações comunitárias e articulações em defesa de políticas públicas de habitação.
    "    “Quando a Igreja se aproxima das periferias, ela pode contribuir não apenas com presença pastoral, mas também com melhorias concretas nas condições de moradia e na organização das comunidades”, conclui."
    Assista a entrevista na íntegra no vídeo abaixo.

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    Por Larissa Carvalho

    Fonte: Cnbb
    https://www.cnbb.org.br

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