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  • Papa Leão XIV se submeterá a uma cirurgia no pulmão 13/10/2026 Papa Leão XIV se submeterá a uma cirurgia no pulmão

    A internação do Papa Leão XIV para a cirurgia de retirada de um nódulo no pulmão será ao final da manhã desta terça-feira, 13. A informação foi confirmada pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruno. A previsão é de que o Santo Padre permaneça cerca de uma semana na Policlínica Gemelli, de Roma.

    O procedimento cirúrgico foi anunciado pelo próprio Papa ao final do Angelus deste domingo, 11. Segundo Bruni, o nódulo foi descoberto durante exames de rotina.

    Nesta segunda-feira, 12, véspera da internação, Leão XIV cumpriu regularmente sua agenda no Vaticano. Teve seis audiências privadas e um encontro com os sócios do Círculo de São Pedro.

    Já os compromissos previstos por ocasião do encontro sobre os 10 anos da Exortação Apostólica “Amoris laetitia” sofreram modificações. O Santo Padre não participará do evento desta tarde, 12, nem presidirá à Santa Missa de encerramento marcada para a quarta-feira, 14. A celebração eucarística será presidida pelo novo decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Luis Antonio G. Tagle.

    Fonte: https://noticias.cancaonova.com

  • Bill Gates, a tecnologia é um mundo que precisa ser governado 13/10/2026 Bill Gates, a tecnologia é um mundo que precisa ser governado

    Entrevista com o ex-CEO da Microsoft sobre os riscos potenciais associados ao crescimento da inteligência artificial: trata-se de um setor que não pode se autorregular, explica ele, e deve ser orientado pelos governos. Também é preciso agir para aproveitar as oportunidades da IA nas áreas da saúde, educação e agricultura.

    “Não estamos prestando suficiente atenção aos riscos” da inteligência artificial e “não estamos fazendo o suficiente para minimizar os danos. Também não estamos fazendo o suficiente para aproveitar as oportunidades atuais que a inteligência artificial oferece”. Assim afirmou Bill Gates, cofundador e ex-diretor executivo da Microsoft, nesta entrevista à mídia vaticana, na qual, sobre a encíclica Magnifica humanitas do Papa Leão, ele diz: “fiquei impressionado não por ele dizer ‘parem a inteligência artificial’, mas por afirmar que ‘devemos preservar ativamente o que há de humano’. Isso coincide com o que eu também defendo”.

    Senhor Gates, nas últimas semanas, muitas vozes do setor tecnológico expressaram preocupação com os perigos potenciais associados ao desenvolvimento da inteligência artificial. O que o senhor acha disso?


    É impressionante como pessoas do setor estão dando voz às suas preocupações. Trata-se de pessoas que competem entre si e discordam em muitas questões, mas que, neste caso, estão dizendo a mesma coisa: nesse aspecto, o setor não pode se autorregular, deve ser orientado por atores neutros, em primeiro lugar os governos. O problema é que a maioria das pessoas no governo não compreende plenamente como a tecnologia funciona.

    Acredito que não estamos prestando atenção suficiente aos riscos e que não estamos fazendo o suficiente para minimizar os danos. Também não estamos fazendo o suficiente para aproveitar as oportunidades atuais que a inteligência artificial oferece. No mês passado, nossa Fundação publicou o relatório anual “Goalkeepers Report”, que afirma que a inteligência artificial pode ser um grande fator de igualdade ou ampliar a disparidade existente entre ricos e pobres. A inteligência artificial pode fazer coisas como permitir que médicos de zona rural usem o smartphone como um aparelho de ultrassom, oferecer apoio educacional personalizado que se adapte à maneira como o aluno realmente aprende e fornecer recomendações sob medida com base nas características do solo e nas condições climáticas específicas de cada agricultor. Mas nada disso acontece automaticamente.

    Se deixados à mercê do mercado, as ferramentas mais eficazes serão desenvolvidas primeiro para quem puder pagar mais, e não para quem mais precisa delas. Por isso, nos próximos dois anos, destinamos um bilhão de dólares para promover a inteligência artificial nos setores da saúde, da educação e da agricultura, justamente nos locais onde as forças de mercado chegariam por último. O risco e a oportunidade andam de mãos dadas, e precisamos agir em ambas as frentes ao mesmo tempo.

    De maneira mais geral, como o senhor vê o futuro de uma sociedade cada vez mais orientada pela tecnologia?

    A inteligência artificial é diferente de qualquer outra tecnologia que já vimos até agora. No caso de inovações do passado, como o PC ou a internet, o processo começou com algumas grandes mudanças, mas, no fim das contas, tudo se resolveu e as pessoas acabaram tendo acesso a ferramentas melhores. A inteligência artificial é diferente. Ela se assemelha mais a um evento evolutivo. Criamos um tipo de inteligência que, em muitos aspectos, se equipara ou supera a cognição humana. Tratá-la simplesmente como “o próximo PC” faz com que as pessoas a subestimem completamente.

    Podemos imaginar o futuro como dois períodos distintos. Atualmente, estamos em uma fase de transição na qual ainda não temos os benefícios em grande escala em todos os lugares, mas assistimos a uma verdadeira revolução. Isso se aplica mais aos países ricos do que aos de renda mais baixa. Nos locais onde a Fundação atua, os benefícios podem se manifestar mais rapidamente do que os incômodos, pois, desde o início, havia uma enorme quantidade de necessidades não atendidas. Mas isso só pode funcionar se resolvermos problemas como o fato de que a maioria dos modelos de inteligência artificial foi treinada predominantemente em inglês, negligenciando assim fortemente os bilhões de pessoas que falam outras línguas. Neste momento, portanto, é necessária uma mudança real em várias frentes, incluindo a forma como tributamos o trabalho em relação à automação, quais atividades reservamos deliberadamente para os seres humanos e como garantimos que a tecnologia chegue efetivamente às pessoas que mais se beneficiariam dela, e não apenas àquelas que podem pagar mais.

    Então, uma vez superada essa fase de transição, se conseguirmos implementar as medidas de segurança e garantir um acesso adequado, poderemos nos deparar com um mundo de verdadeira abundância: inteligência artificial e robôs humanóides que cuidam da alimentação, da moradia e de outras necessidades básicas. Esse período levantará uma série de questões completamente diferentes sobre o significado e sobre como as pessoas passarão seu tempo. No momento, meu objetivo principal é fazer com que superemos os próximos anos sem que ocorram ataques bioterroristas catastróficos ou incidentes relacionados à segurança cibernética, e sem deixar para trás amplos segmentos do mercado de trabalho ou vastas regiões do mundo.

    O presidente Trump, por outro lado, minimizou os riscos potenciais do desenvolvimento da inteligência artificial. O senhor concorda com a posição dele? Que papel os líderes políticos deveriam desempenhar nesse debate?

    Essa tecnologia é mais perigosa do que as armas nucleares e tem o potencial de ser mais benéfica do que a energia nuclear. Adotar controles básicos de segurança quase não acarreta perda de velocidade e reduz significativamente os riscos. É um compromisso que vale a pena aceitar.

    Os líderes governamentais devem primeiro chegar a um consenso sobre os fatos fundamentais — ou seja, que existem perigos reais e benefícios reais — e, em seguida, discutir os detalhes da resposta. Precisamos de maior expertise em inteligência artificial nos governos, de governos que trabalhem com o setor e de governos que trabalhem juntos, pois nenhum país quer que o bioterrorismo ou um ataque cibernético paralisem sua infraestrutura.

    Temo que seja necessário um ataque cibernético grave ou um episódio sério de bioterrorismo para que o sistema político encare a questão com toda a seriedade que ela exige.

    Existe alguma relação entre os riscos associados ao desenvolvimento da inteligência artificial e sua decisão de deixar qualquer função operacional na Microsoft?

    Não, minha decisão foi uma transição, gradual e planejada, para a filantropia e meu trabalho na Fundação Gates, que ocorreu há mais de dez anos.

    O senhor leu a encíclica Magnifica humanitas do Papa Leão? O senhor concorda com as reflexões dele sobre a inteligência artificial?

    Sim, eu a li e falei sobre ela em uma nota interna que escrevi em agosto. Fiquei fascinado. Ela estabelece uma base sólida para o trabalho que precisa ser feito. O que me impressionou foi que o Papa não diz “parem a inteligência artificial”. Seu argumento é mais ponderado: ele defende que, diante de tudo isso, devemos preservar ativamente o que há de humano. Isso coincide com o que eu também defendo. Existem algumas tarefas, como cuidar de crianças, a função de juiz ou jurado e, na área da medicina, cuja essência é justamente o relacionamento. Não deveríamos entregar essas tarefas a um modelo apenas porque ele se tornou capaz o suficiente para realizá-las. Fico muito feliz em ver a Igreja Católica e outros grupos religiosos tão envolvidos no debate sobre a inteligência artificial; acredito que o compromisso deles seja fundamental para garantir que a inteligência artificial sirva a todos da maneira mais justa possível.

    Fonte: Vatican News
    https://www.vaticannews.va

  • Leão XIV, a fragilidade como lugar de encontro 13/10/2026 Leão XIV, a fragilidade como lugar de encontro

    A escritora portuguesa Matilde Campilho diz que “a matéria de que somos feitos é o susto”. Talvez seja justamente por isso que o gesto público do Papa Leão XIV, ao anunciar a necessidade de passar por uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão, nos ajude a pensar a fragilidade como um lugar de encontro. A vida está sujeita aos seus limites, o corpo adoece, e assumir essa vulnerabilidade nunca é fácil.

    Vivemos sob a pressão de uma cultura do bem-estar, do tabu da imagem de uma vida perfeita, da necessidade de responder a todas as expectativas, de permanecer produtivos, de apresentar resultados, de manter intocável uma espécie de segurança sobre tudo e sobre todos. Mas a vida, mais cedo ou mais tarde, assusta. E sempre de novo precisamos deixar de lado a performance da perfeição para nos deixarmos cuidar.

    É por isso que a fragilidade pode tornar-se um lugar de encontro: encontro com um mundo também frágil, verdadeiro, necessitado dos outros. É quando a vida perde suas máscaras que podemos deixar cair os disfarces de uma perfeição que nunca existiu.

    Quando o Papa assumiu que precisará passar por uma intervenção cirúrgica, não estava “exibindo” a sua condição. Estava tratando os fatos com a verdade necessária, acompanhada de um pedido de proximidade espiritual e da necessidade concreta de cuidado. Falar sobre a dor, reconhecer a vulnerabilidade, permitir-se ser cuidado, tudo isso também faz parte de um caminho de cura.

    Partilhar as próprias fraquezas não significa idealizar o sofrimento, como se adoecer fosse uma bênção. Há fragilidades que não escolhemos. Há situações diante das quais simplesmente nos descobrimos pequenos. E, justamente quando podem ser partilhadas, elas encontram a possibilidade de gerar relações mais verdadeiras. “Quando sou fraco, então é que sou forte”, escreveu São Paulo aos Coríntios (2Cor 12,10).

    Jesus Cristo assumiu plenamente a nossa condição humana. Na cruz, levou a fragilidade até o extremo. Não se escondeu da dor, não recusou ser encontrado. E, em cada encontro, abriu a possibilidade de que a Revelação de Deus acontecesse na medida da abertura do coração e da verdade da vida.

    Com tudo o que realizou, Jesus testemunha que a fraqueza não é sinônimo de falta de fé. Talvez, muitas vezes, a falta de fé esteja mais próxima da atitude desumana de querer performar uma perfeição que não existe.

    Dediquemos nossa prece ao Papa Leão. E, com ele, aprendamos também nós a reconhecer a fragilidade do corpo e da alma, sem vergonha e sem máscaras. Em nossa fraqueza é que Deus encontra espaço para nos visitar e para nos aproximar uns dos outros. De fato, como escreveu Manoel de Barros, em uma dessas frases que parecem pequenas, mas carregam um mundo inteiro: “a maior riqueza do homem é a sua incompletude”.

    Pe. Maicon A. Malacarne
    professor de Teologia Moral e pároco da Paróquia São Cristóvão - diocese de Erexim/RS

    Fonte: Vatican News
    https://www.vaticannews.va

  • O que é e como surgiu o Círio de Nazaré 09/10/2026 O que é e como surgiu o Círio de Nazaré

    O Círio de Nazaré começou no dia 7 de outubro em Belém (PA) e terá no domingo (11) a procissão mais importante, que percorre 3,6 km e espera reunir mais de 2 milhões de pessoas.

    Devoção a Nossa Senhora de Nazaré

    Nossa Senhora de Nazaré é um dos títulos marianos mais antigos, remete ao período da infância de Jesus, em Nazaré da Galileia. Segundo a tradição, são José, marido de Maria, esculpiu uma imagem da Virgem amamentando que ficou conhecida como Nossa Senhora de Nazaré. Em 361, a imagem foi levada a Portugal e escondida no pico de São Bartolomeu, sendo encontrada apenas em 1119, dando início à sua veneração e a muitos milagres. Em 1182 foi erguida uma ermida a Nossa Senhora de Nazaré onde hoje está o Santuário de Nazaré, em Portugal.

    No Brasil, a devoção começou em 1700 com o achado de uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelo Caboclo Plácido às margens do Igarapé Murutucu, perto de onde hoje está a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré. Ele a levou para a sua casa várias vezes, mas milagrosamente a imagem voltava para o local onde foi encontrada. Então, Plácido construiu uma pequena capela para a imagem no lugar. A notícias da santa milagrosa se espalhou e todos os anos milhares de devotos visitavam a capela para pedir milagres e agradecer as graças alcançadas.

    Nossa Senhora de Nazaré faz parte da vida cotidiana do povo paraense. Está nas casas, nas lojas, nos mercados, instituições, em todos os lugares é possível encontrar uma imagem. Muitos devotos a chamam carinhosamente de “Tia Naza”, “Nazica” ou “Nazinha”.

    Por que se chama Círio de Nazaré?

    A palavra "círio" deriva do latim “cereus”, que significa vela, e, em português passou a designar um tipo específico de grande vele de uso litúrgico. O uso da palavra “círio” para dar nome à procissão de Nossa Senhora de Nazaré tem a sua origem em Portugal, onde os romeiros iam ao Santuário de Nossa Senhora de Nazaré carregando velas e círios. Com o tempo, a própria procissão começou a ser chamada de círio.

    Em Belém, as procissões a Nossa Senhora de Nazaré começaram em 1792 e eram feitas à noite com a presença de um Círio que iluminava e guiava os fiéis que também carregavam velas. A presença das velas era tão marcante que assim como em Portugal, as procissões também começaram a ser chamadas de Círio. Em 1845, ela passou a ser de manhã para fugir da chuva, mas o nome continuou Círio de Nazaré até hoje.

    O Círio de Nazaré foi reconhecido em 2004 como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
    O Círio de Nazaré tem 14 procissões

    O dia mais importante do Círio de Nazaré é o segundo domingo de outubro, que costuma reunir mais de 2 milhões de pessoas para celebrar a Rainha da Amazônia. A procissão de 3,6 km de percurso sai da catedral, na Cidade Velha, até a Praça Santuário de Nazaré. Em todo o mês de outubro acontecem mais 13 procissões: Translado de carros, Translado para Ananindeua, Romaria Rodoviária, Romaria Fluvial, Moto Romaria, Transladação, Ciclo Romaria, Romaria da Juventude, Romaria das Crianças, Romaria dos Corredores, Romaria da Acessibilidade, Procissão da Festa, Recírio.

    Os símbolos do Círio de Nazaré

    O item mais característico do Círio de Nazaré de Belém é a corda que os promesseiros buscam tocar como forma de pagar promessa. Ela passou a fazer parte do círio em 1885, quando uma enchente da Baía do Guajará alagou a orla no momento da procissão. A berlinda com a imagem ficou atolada e os cavalos não conseguiram puxá-la. Então, um comerciante local emprestou uma corda para os fiéis puxarem a berlinda. Desde então, a corda é usada no círio. Feita de cisal retorcido com 400 metros de comprimento, a corda simboliza o elo entre os fiéis e Nossa Senhora de Nazaré.

    O principal símbolo da festa é a berlinda, a estrutura de madeira e vidro que leva a imagem de Nossa Senhora de Nazaré nas procissões.Elacomeçou a ser usada no Círio em 1882, antes a imagem era levada no colo do capelão do Palácio do Governo, em um palanquim carregado por cerca de seis homens. A berlinda era puxada por cavalos.

    Nas procissões, é comum ver os fiéis com ex-votos ou objetos de promessa como sinal de agradecimento pelas graças recebidas por intercessão de Nossa Senhora. Eles costumam levar miniaturas de casas e barcos, réplicas da berlinda de Nossa Senhora, tijolos, velas do próprio tamanho, peças de cera com formato de partes do corpo. Na procissão há o carro dos milagres onde os devotos podem colocar esses objetos.

    Fonte: ACI Digital
    https://www.acidigital.com

  • Aparecida preserva história da devoção na Passarela da Fé 09/10/2026 Aparecida preserva história da devoção na Passarela da Fé

    Com 392 metros de extensão, estrutura liga a Basílica Velha ao Santuário Nacional e se tornou um dos principais símbolos da peregrinação a Nossa Senhora Aparecida

    Durante a Novena e Festa da Padroeira do Brasil, milhares de romeiros chegam a Aparecida (SP) para agradecer por graças alcançadas, renovar promessas e manifestar sua devoção a Nossa Senhora Aparecida. Entre os lugares mais emblemáticos dessa experiência está a Passarela da Fé, um caminho que ultrapassa sua função de ligação entre dois templos religiosos e representa a expressão da fé de inúmeros peregrinos.

    Inaugurada em 1971, a passarela possui 392 metros de extensão e foi projetada em formato de “S”, em referência à Padroeira do Brasil. A estrutura conecta a histórica Basílica Velha, também conhecida como Matriz Basílica, ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, considerado o maior santuário mariano do mundo.

    Em dezembro de 2026, o monumento completa 55 anos de sua inauguração, consolidado como um dos pontos mais conhecidos da cidade e um dos cenários mais marcantes da devoção popular brasileira.

    Um caminho de fé, promessas e agradecimento

    Para muitos devotos, atravessar a Passarela da Fé é muito mais do que percorrer a distância entre duas igrejas. O trajeto representa um momento de oração, entrega e agradecimento, vivido de maneira particular por cada peregrino.

    Durante as festividades, é comum encontrar fiéis caminhando em silêncio, rezando ou cumprindo promessas. Alguns realizam o percurso de joelhos, como gesto de penitência e gratidão por uma graça alcançada ou como expressão de confiança na intercessão de Nossa Senhora.

    A devoção popular manifesta, assim, a relação pessoal dos romeiros com a fé e a espiritualidade mariana.

    “A piedade é essa demonstração do amor e da confiança em nosso Senhor. É algo que está muito no interior da pessoa, por isso o motivo maior é essa confiança em nosso Senhor e em Nossa Senhora”, destaca uma liderança religiosa local.

    Histórias que atravessam gerações

    Os testemunhos dos peregrinos revelam a importância da Passarela da Fé na vida de quem visita Aparecida. Entre as histórias compartilhadas pelos devotos estão relatos de pessoas que atribuem à intercessão de Nossa Senhora o conforto durante períodos de enfermidade, a recuperação após cirurgias e a superação de momentos difíceis.

    Para outras famílias, a peregrinação tornou-se uma tradição mantida há décadas. A visita anual é uma oportunidade de agradecer pela saúde, pedir proteção para os familiares e renovar os compromissos de fé.

    Essas experiências fazem da passarela um espaço de encontro entre diferentes histórias de vida, unidas pela devoção à Padroeira do Brasil.

    Novena reúne peregrinos em momentos de oração

    Além dos espaços de visitação e devoção, o Santuário Nacional oferece uma programação especial de celebrações e atendimento religioso durante a Novena e Festa da Padroeira.

    No sétimo dia da Novena, celebrado sob o tema “Com Maria somos igreja de irmãos reunidos pela palavra e pelo pão da vida”, estão previstas duas celebrações solenes: às 15h, presidida pelo missionário redentorista Pe. Pablo Vinícius Moreira, e às 19h, pelo bispo de Caicó (RN), Dom Antônio Rosendo dos Santos.

    Os peregrinos também podem buscar o sacramento da Reconciliação durante o período festivo. O atendimento de confissões ocorre no subsolo da Basílica Nacional, das 8h às 11h, pela manhã, e das 14h às 16h, à tarde, conforme a programação informada.

    Aparecida, destino de fé para milhões de brasileiros

    A Passarela da Fé integra a experiência de milhares de pessoas que visitam Aparecida ao longo do ano, especialmente durante as celebrações dedicadas à Padroeira. Mais do que uma estrutura arquitetônica, tornou-se um símbolo da religiosidade brasileira, marcado por orações, promessas e testemunhos de devoção.

    Para quem percorre seus 392 metros, cada passo pode representar um agradecimento, um pedido ou a renovação da esperança. Em 2026, ao completar 55 anos, a passarela continua testemunhando a força de uma tradição que atravessa gerações e mantém Nossa Senhora Aparecida no centro da fé de milhões de devotos.

    Os peregrinos que planejam visitar a cidade durante as festividades podem consultar os canais oficiais do Santuário Nacional para conferir a programação completa, os horários das celebrações e as orientações para a visita.

  • Bispos referenciais para a comunicação se reúnem na sede da CNBB para refletir sobre missão no ambiente digital 09/10/2026 Bispos referenciais para a comunicação se reúnem na sede da CNBB para refletir sobre missão no ambiente digital

    A Comissão Episcopal para a Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reúne, de 6 a 8 de outubro, na sede da Conferência, em Brasília (DF), os bispos referenciais para a Comunicação Social dos regionais da CNBB. O encontro é um espaço de comunhão, avaliação e planejamento da atuação da comunicação da Igreja no Brasil, com atenção especial aos desafios da missão no ambiente digital.

    A programação contempla a memória histórica das reuniões realizadas entre 2023 e 2026, a reflexão sobre o Sínodo e a missão no ambiente digital, orientações para a atuação dos bispos referenciais e temas relacionados à comunicação ética, à inteligência artificial e à proteção da dignidade humana. O encontro também prevê a apresentação dos relatórios da Comissão referentes ao atual quadriênio e a prospecção para o planejamento do próximo período.

    Comunhão e missão

    O presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB, dom Valdir José de Castro, destacou que a reunião não se limita ao aprofundamento de conteúdos, mas busca fortalecer os vínculos entre os bispos que acompanham a comunicação nos diferentes regionais.
    "    “A gente se reúne para não somente refletir conteúdos, mas também para estreitar a comunhão entre nós e compartilhar essa missão tão importante que esses bispos têm, especialmente na animação da Pastoral da Comunicação nas suas diversas regiões”, afirmou. "
    Entre os assuntos centrais está a presença evangelizadora da Igreja no ambiente digital, refletida também a partir do processo sinodal. Para dom Valdir, a questão já não é saber se a Igreja deve ou não ocupar esses espaços, mas compreender como estar presente neles como Igreja.
    "    “Já não é mais uma questão se a Igreja deve estar. Nós temos muita consciência de que tem de estar ali. Agora, é como estar ali presente como Igreja. Esse é o grande desafio”, explicou. "
    Dom Valdir recordou, nesse contexto, o documento Rumo à Presença Plena, do Dicastério para a Comunicação, que propõe uma reflexão pastoral sobre o envolvimento dos cristãos nas redes sociais. Segundo o bispo, a presença eclesial no ambiente digital não deve ser compreendida apenas de forma individual, mas a partir da comunhão da fé e do magistério da Igreja.
    Comunicação que parte das relações humanas

    Ao avaliar o caminho percorrido pela Comissão entre 2023 e 2026, dom Valdir ressaltou que o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil tem sido uma das principais referências para os trabalhos. Segundo ele, além do uso dos meios e das ferramentas de comunicação, a preocupação da Igreja deve estar na qualidade das relações construídas nesses espaços.

    O presidente da Comissão destacou elementos como a escuta, o diálogo cordial, o respeito ao próximo e a defesa da dignidade humana. Nesse sentido, apontou Jesus Cristo como referência para a comunicação da Igreja.
    "    “A nossa comunicação tem como referência a própria comunicação de Jesus, aquela comunicação profundamente humana, de respeito, de escuta, de falar com o outro olhando nos olhos, de valorizar a realidade de onde vem o nosso interlocutor.” "
    Para dom Valdir, a Pastoral da Comunicação deve ir além da dimensão instrumental como o rádio, televisão, internet e demais meios; e valorizar, antes de tudo, a comunicação humana. Esse caminho, segundo ele, contribui para a construção da cultura do encontro e de uma sociedade melhor.
    Formação para o uso das novas tecnologias

    Nesta quarta-feira, 7 de outubro, a programação do encontro dedica um momento específico ao tema “Magnifica Humanitas: comunicação ética, inteligência artificial e a proteção da dignidade humana”, seguido de orientações para a missão e a ação dos bispos referenciais para a Comunicação Social.

    Neste sentido, o bispo referencial para a comunicação no regional Sul 3 da CNBB, dom Juarez Destro, também chamou a atenção para os desafios apresentados pelas novas tecnologias. Para ele, não é possível ignorar a realidade digital, mas é necessário formar os agentes evangelizadores para utilizá-la de maneira responsável.
    "    “Precisamos cuidar muito da educação, da formação dos nossos agentes pastorais, dos nossos evangelizadores, enfim, de todo o povo de Deus, para o correto uso dessas novas tecnologias”, afirmou."
    Dom Juarez ressaltou que a resposta da Igreja não deve ser a exclusão das tecnologias, mas a educação para seu uso, tendo como preocupação central a preservação da pessoa e da dignidade humana.
    "    “Nós estamos mergulhados nessa sociedade, nesse mundo tecnológico. Mas precisamos saber utilizar para salvaguardar o humano das pessoas, a dignidade humana, inclusive as questões sociais.” "
    O bispo também chamou a atenção para possíveis impactos sociais provocados pelo avanço da inteligência artificial e defendeu que a Igreja acompanhe essas transformações e contribua para a formação de seus fiéis.
    Trabalho conjunto entre os regionais

    Outro aspecto destacado por dom Juarez é a possibilidade de os bispos referenciais partilharem experiências, dificuldades e soluções que possam ser levadas posteriormente às dioceses e comunidades.

    “É fundamental esse trabalho conjunto, porque o Brasil é imenso”, afirmou. Segundo ele, apesar das diferenças regionais, muitos desafios relacionados à comunicação e às novas tecnologias são compartilhados pela Igreja em todo o país.

    Para o bispo, essa dinâmica expressa também a sinodalidade. “A Igreja sinodal caminha assim. É uma Igreja participativa, de comunhão”, disse.

    Dom Juarez citou como exemplo, em sua diocese, as conversas realizadas durante o próprio encontro sobre possíveis assessores e temas para futuras iniciativas formativas relacionadas ao uso das tecnologias. “Essa troca de experiências é muito salutar, e um vai ajudando o outro na sua missão. Formamos uma grande Conferência”, concluiu.

    O encontro segue até amanhã, quinta-feira, 8, quando serão apresentados os relatórios da Comissão Episcopal para a Comunicação Social referentes ao período de 2023 a 2026. A programação será concluída com uma prospecção para o planejamento do próximo quadriênio da Comissão.  

    Por Larissa Carvalho
    Fonte: Cnbb
    https://www.cnbb.org.br

  • Papa Leão XIV conduz terço e procissão das velas no Santuário de Lourdes 28/09/2026 Papa Leão XIV conduz terço e procissão das velas no Santuário de Lourdes

    Papa encerra sua visita a Lourdes com oração junto aos peregrinos e destaca a fé e o testemunho dos enfermos

    O papa Leão XIV encerrou sua visita a Lourdes, na França, participando da oração do terço e da tradicional procissão das velas na esplanada do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes. O momento reuniu milhares de peregrinos em uma das manifestações de fé mais características do santuário mariano.

    Após a oração do terço, o pontífice recordou o pedido feito por Nossa Senhora a Santa Bernadete Soubirous: “Que se venha aqui em procissão”.

    “Estamos aqui reunidos esta noite para responder ao pedido que Nossa Senhora dirigiu aos sacerdotes por intermédio de Santa Bernadete: ‘Que se venha aqui em procissão’”, afirmou Leão XIV.

    O papa destacou a resposta dos peregrinos ao longo das gerações e manifestou sua alegria por participar daquele momento não apenas como pontífice, mas como um peregrino entre tantos outros.
    "“Como é comovente ver o povo fiel, de geração em geração, responder com amor e confiança ao terno convite da Virgem Maria… Dou graças ao Senhor por poder, também eu, responder esta noite ao chamado de nossa Mãe, tornando-me um peregrino entre os peregrinos.”"

    Os enfermos como testemunhas de fé

    Durante sua reflexão, Leão XIV dedicou atenção especial às pessoas doentes, que ocupam um lugar central na espiritualidade de Lourdes. Para o papa, aqueles que enfrentam a enfermidade podem oferecer um testemunho particular sobre a transformação da existência pela fé e pelo amor.

    “As pessoas doentes são testemunhas privilegiadas desta transfiguração da existência através da fé e do amor a Deus e ao próximo”, afirmou.

    O pontífice acrescentou que estar ao lado dos enfermos durante a procissão permite compreender de maneira mais profunda a realidade vivida por eles.
    "“É preciso vir aqui fazer esta procissão convosco, queridos doentes, para entender plenamente a sua realidade.”"
    Na sequência, Leão XIV recordou uma reflexão do papa Pio XII sobre Lourdes, destacando o contraste entre o sofrimento carregado pelos peregrinos e a atmosfera de paz, serenidade e alegria experimentada no santuário.

    Para o atual pontífice, encontrar serenidade e alegria em meio à provação é, em si, um testemunho da ação da fé.

    Um olhar para além da provação

    Em sua mensagem, Leão XIV também convidou os peregrinos a manterem o olhar voltado para além das dificuldades presentes. Segundo o papa, a fé cristã permite enxergar um horizonte que ultrapassa os limites da existência terrena.
    "“Deus nos concede a graça de voltar o nosso olhar para um futuro mais distante, para além do nosso horizonte terreno, um futuro de felicidade infinita em Deus, que temos a certeza de alcançar se permanecermos firmes na fé e na caridade.”"
    A mensagem encontrou particular ressonância entre os milhares de peregrinos enfermos e seus acompanhantes que participavam da peregrinação.

    Peregrinos de diferentes partes do mundo

    A visita de Leão XIV coincidiu com a peregrinação nacional da Unitalsi, organização italiana dedicada a acompanhar pessoas doentes em peregrinações a Lourdes. Neste ano, o grupo reuniu mais de 4 mil peregrinos, incluindo crianças em tratamento contra o câncer provenientes de Nápoles, na Itália.

    Federica Postiglione, voluntária da Unitalsi há 30 anos, destacou a importância da experiência.
    "“A peregrinação, por si só, já é realmente um presente e uma graça. Vir a Lourdes… com o papa, foi muito, muito bonito.”"

    Ela também contou que um dos momentos mais marcantes foi observar o esforço do pontífice para se aproximar dos enfermos e cumprimentar algumas pessoas, mesmo diante das barreiras de segurança.

    A presença de peregrinos internacionais também marcou a noite. Virginia Wildemann, de Long Island, nos Estados Unidos, contou que já havia enfrentado uma doença e desejava retornar a Lourdes para vivenciar novamente a espiritualidade do local.

    Apesar das restrições temporárias provocadas pela visita papal, ela conseguiu recolher um pouco da água de Lourdes e participar da procissão.

    Wildemann também destacou a mensagem que levou consigo após ouvir o papa: permanecer unidos, rezar juntos, amar o próximo e cultivar a gentileza nas relações.

    Um encontro inesperado com o papa

    Entre os peregrinos estava também Ron Denissen, de Delaware, nos Estados Unidos. Ele contou que sua paróquia havia programado a viagem a Lourdes antes de saber que Leão XIV visitaria o santuário na mesma época.

    Durante a passagem da comitiva papal próxima ao hotel onde estava hospedado, Denissen decidiu chamar a atenção do pontífice fazendo uma referência ao Chicago Bears, equipe de futebol americano da qual Leão XIV é conhecido torcedor.

    “E quando ele estava passando, eu gritei: ‘Go, Bears!’. Ele estava olhando para outro lado, mas então olhou para mim e acenou, e eu tirei uma foto dele bem de perto, olhando para mim e acenando. Então, isso foi bem especial”, relatou.

    Uma noite de oração em Lourdes

    A oração do terço e a procissão das velas encerraram a passagem de Leão XIV por Lourdes com uma forte expressão da espiritualidade que caracteriza o santuário: oração, peregrinação, cuidado com os enfermos e confiança em Deus.

    Ao caminhar entre os peregrinos e rezar com eles, o papa se apresentou, em suas próprias palavras, como “um peregrino entre os peregrinos”, compartilhando com milhares de pessoas um dos momentos mais tradicionais da devoção mariana em Lourdes.

  • Escutar para cuidar: o papel da Igreja diante dos sofrimentos do nosso tempo 08/09/2026 Escutar para cuidar: o papel da Igreja diante dos sofrimentos do nosso tempo

    A escuta ganhou particular destaque no caminho recente da Igreja. No processo sinodal convocado pelo Papa Francisco, ela é apresentada como uma dimensão essencial da vida eclesial, da formação e do acompanhamento pastoral.

    O Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizado em 2024, chega a indicar a possibilidade de um ministério dedicado à escuta e ao acompanhamento, voltado especialmente a pessoas afastadas ou que buscam reaproximar-se da comunidade.

    Ao apresentar o itinerário sinodal, em 2021, o Papa Francisco definiu o percurso como um “dinamismo de escuta recíproca”, lembrando que ouvir é o primeiro compromisso e que não se trata apenas de recolher opiniões, mas de escutar o Espírito.

    A mesma perspectiva está presente no pontificado de Leão XIV. Em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, publicada em 25 de maio de 2026 e dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, o Papa recorda a responsabilidade de construir uma sociedade na qual a dignidade de cada pessoa seja protegida e destaca o diálogo como parte da vocação da Igreja.

    Na apresentação do documento, fez um convite a “aprender a ouvir uns aos outros, a enfrentar com coragem os desafios do presente e a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna”.

    A Igreja como primeira rede de apoio

    Há um esgotamento que não vem do trabalho. Vem da saturação. Da avalanche de estímulos e do desamparo de se estar ao alcance de tudo, o tempo todo, mas nunca por inteiro. É o retrato do tempo presente, em que o ser humano nunca esteve tão conectado e, ao mesmo tempo, tão só.

    Nas paróquias, esse cansaço tem chegado com nome, rosto e horário marcado. São pessoas que não procuram conselhos prontos nem milagres. O que buscam, muitas vezes, é algo mais simples e mais raro: alguém que as olhe nos olhos, sem pressa, e simplesmente as escute.

    O Cônego Ramon Ferreira, pároco da Paróquia Sant’Ana, em Silvianópolis (MG), e especialista em psicanálise, explica que é comum que pessoas em sofrimento de ordem espiritual, psíquica e até civil procurem a Igreja como primeiro apoio. “O padre entra em momentos nos quais talvez nenhum outro profissional entre. Está presente no casamento, no nascimento dos filhos, nas crises familiares, na doença, numa perda, num velório. Muitas vezes conhece várias gerações da mesma família”, diz. “Além disso, existe uma dimensão muito particular no ministério sacerdotal: a pessoa sabe que pode falar de coisas muito íntimas, sobretudo no âmbito sacramental, onde existe o sigilo absoluto”, complementa.

    Segundo ele, essa confiança exige responsabilidade para reconhecer os limites e saber até quando o acompanhamento espiritual é suficiente e a partir de que momento se faz necessário o cuidado de um profissional. Direção espiritual, psicoterapia e psiquiatria são realidades distintas que podem e devem conversar, mas não podem ser confundidas. “Considero muito perigoso quando alguém transforma tudo em problema espiritual. Uma depressão não é falta de fé. Uma crise de ansiedade não significa que a pessoa reza pouco. Isso pode inclusive aumentar a culpa de quem já está sofrendo”, alerta o cônego. “A fé pode ser uma enorme força no processo de recuperação, mas ela não nos autoriza a negar a realidade. Se eu quebro uma perna, eu rezo e vou ao ortopedista. Uma coisa não elimina a outra”.

    Essa perspectiva reforça a importância de olhar para o ser humano em sua integralidade, sem dividi-lo em gavetas. Corpo, psiquism e espiritualidade estão interligados e, quando uma dessas dimensões sofre, as outras também sentem.

    Nessa compreensão, fé e ciência não se colocam como rivais, mas como olhares distintos que se complementam no cuidado da mesma pessoa. Como destaca o cônego, “a graça não destrói a natureza; trabalha nela. Deus pode agir através de uma oração, mas pode agir também através de uma psicóloga competente, de um psiquiatra, de um medicamento bem indicado. Quando cada uma respeita seus limites, elas não concorrem. Elas se completam”.

    Pastoral da Escuta: quando ouvir se torna uma missão

    Foi diante das muitas demandas que chegam diariamente às paróquias, que nasceu a Pastoral da Escuta. Idealizada pelo padre passionista José Carlos Pereira, teólogo pastoralista e doutor em Sociologia, a iniciativa partiu da percepção de que o atendimento sacerdotal já não dava conta da procura e de que boa parte de quem chegava não buscava confissão, mas alguém que a ouvisse.“Surgiu de uma necessidade que constatei lá pelos idos de 2006, 2007, quando fui pároco de uma grande paróquia no interior de São Paulo. Havia uma demanda gigantesca. Éramos três padres, mas não conseguíamos atender todas as pessoas. Todos os dias, das oito da manhã às cinco da tarde, sempre tinha um padre de plantão. No entanto, a maioria não procurava a confissão. Começamos a perceber que boa parte queria apenas alguém que as escutasse, porque não tinha quem as ouvisse”, recorda.

    A percepção deu origem a uma equipe de leigos preparada para oferecer escuta pastoral. O que começou como resposta a uma necessidade concreta de uma paróquia tornou-se uma experiência partilhada com outras comunidades e dioceses. O primeiro grupo tinha cinco pessoas, com plantões na igreja matriz e em duas capelas, em horários fixos.“Começamos a divulgar que havia esse serviço e começou a dar certo. As pessoas procuravam para desabafar”, lembra o padre. Segundo ele, muitas vezes nem era preciso dizer nada: “No final diziam: ‘muito obrigado por você ter me ouvido’”.Quando se tratava de matéria de confissão, o encaminhamento era feito ao sacerdote. A prática, que deu resultado na paróquia, acabou sistematizada no livro Pastoral da Escuta, para que outras comunidades pudessem implantar a proposta.

    O sacerdote esclarece que não é necessário ter formação em psicologia para atuar. E, mesmo quando há psicólogos entre os agentes, a abordagem permanece distinta. “Deixamos muito claro que não se trata de escuta no âmbito psicológico nem no âmbito sacramental. Se tiver psicólogo, é muito válido, mas ali ele não vai usar ferramentas da psicologia. É uma escuta espiritual, no Espírito, teológica”, ressalta. “Muitas pessoas podem imaginar que é um trabalho marginal da psicologia, e não é”.

    Na Diocese de Taubaté (SP), a psicóloga Raquel Irene de Macedo coordena a Pastoral da Escuta no Santuário Santa Teresinha. Mestra em Ciências pela USP e especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica, ela destaca que o serviço nasceu para oferecer acolhimento e escuta ativa, em atendimentos individuais, sigilosos e por busca espontânea, realizados em salas da igreja, com horário e duração delimitados.“Muitas vezes, a pessoa não precisa de uma resposta pronta ou de alguém que resolva o problema, mas de uma presença disponível, respeitosa e verdadeiramente interessada em escutá-la”, explica.Segundo Raquel, a preparação dos agentes é o pilar da pastoral. Além da boa vontade, é preciso preparo técnico, maturidade emocional e capacidade de se esvaziar para que o outro seja o centro. Os voluntários são formados para sustentar o silêncio sem julgar, aconselhar ou trazer a própria história, com formação humana e espiritual contínua, que inclui postura emocional, limites pastorais e técnicas de entrevista.

    Para ela, a procura revela uma carência atual. “Muitas chegam trazendo situações difíceis, culpas, conflitos familiares, lutos ou ansiedades, sem encontrar um espaço onde possam falar sem julgamento. Vivemos em uma sociedade hiperconectada digitalmente, mas profundamente solitária”, observa. A coordenadora ressalta ainda o discernimento na escolha dos agentes. “O desejo de ajudar não se traduz automaticamente na aptidão para escutar. Quem chega querendo ser agente precisa, antes de tudo, ser cuidado. Outros trazem a ansiedade de dar conselhos e precisam aprender a arte do silêncio. O protagonista daquele momento nunca será o agente, mas a pessoa que fala à sua frente.”

    O agente está ali para escutar e acolher, não para diagnosticar, tratar ou conduzir a vida da pessoa”, explica Raquel. Muitas vezes, a melhor intervenção é uma pergunta que ajude a pessoa a aprofundar o que vive. A própria escuta ativa permite identificar quando a demanda ultrapassa a proposta e exige encaminhamento.Em situações de crise ou risco, o cuidado é ainda maior. “Diante de sinais de ideação suicida, relatos de violência doméstica, surtos psicóticos ou depressão severa incapacitante, o agente é instruído a não conduzir sozinho. A postura é encaminhar para a rede intersetorial de cuidado e, em risco imediato, para os serviços de emergência”, orienta.

    Implantada conforme as orientações do subsídio, a Pastoral da Escuta tem se mostrado uma resposta concreta que se soma aos demais serviços da Igreja. Ao lado da Pastoral da Acolhida, destaca-se hoje como uma das mais relevantes justamente por partir do princípio de que escuta é acolhimento. Em um contexto marcado por solidão e pelo aumento do sofrimento psíquico, o espaço da escuta olho no olho faz diferença. “Mais do que nunca isso é importante. As redes sociais não possibilitam aquela escuta olho no olho, de ser humano para ser humano. Mesmo que você tenha uma escuta a distância, nunca será igual a sentar ao lado de alguém que está ali para te ouvir, para te acolher, não para te julgar”, ressalta o padre José Carlos.

    Esse chamado ganha ainda mais sentido em setembro, mês dedicado no Brasil à prevenção do suicídio. A Pastoral da Escuta reforça uma mudança de ênfase: menos respostas prontas e mais espaço para ouvir.

    Gabi Bonvechio - Cidade  do Vaticano

    Fonte: Vatican News
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  • Arcebispo de Chongqing é ordenado na China 08/09/2026 Arcebispo de Chongqing é ordenado na China

    Foi realizada nesta terça-feira, 8 de setembro, na China, a ordenação episcopal de Andrea Ding Yang, nomeado pelo Papa Leão XIV, em 28 de julho, arcebispo de Chongqing, após a aprovação de sua candidatura no âmbito do Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China.

    Dom Andrea Ding Yang nasceu em 16 de setembro de 1981, no distrito de Hechuan, em Chongqing. De 2000 a 2006, frequentou o seminário de Pequim. Após um ano de estágio pastoral na Paróquia São José, em Yuzhong, Chongqing, foi ordenado sacerdote em 24 de maio de 2007, tornando-se posteriormente vigário paroquial da mesma paróquia.

    De 2009 a 2011, permaneceu em Macau, onde aprofundou seus estudos de teologia na Universidade de São José. De 2012 a 2014, foi formador no Seminário Teológico Nacional, em Pequim. Em março de 2014, transferiu-se para Roma, onde frequentou a Universidade da Santa Cruz, regressando à China no ano seguinte. Posteriormente, exerceu o ministério como pároco em Tongliang, Tongnan, Tongguanyi e Jiulongpo, na Arquidiocese de Chongqing.

    Fonte: Vatican News
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  • Sejam testemunhas do amor, da justiça e da paz, pede Leão XIV aos jovens africanos 08/09/2026 Sejam testemunhas do amor, da justiça e da paz, pede Leão XIV aos jovens africanos

    Os jovens estão no centro das prioridades pastorais em países que passam por crises muitas vezes complexas. Este é o objetivo da primeira edição das Jornadas da Juventude da África Ocidental, que se realizam em Acra, capital de Gana, de 7 a 11 de setembro. O Papa enviou uma mensagem de vídeo ao evento, promovido pela Reunião das Conferências Episcopais da África Ocidental (RECOWA/CERAO), afirmando estar "convencido" de que "estes momentos intensos passados ??juntos os ajudarão a crescerem na fé e a se enriquecerem cada vez mais dos valores como o encontro e a abertura ao outro".
    Não perder a esperança

    "Vocês não são uma juventude sacrificada, como muitos podem pensar", enfatiza Leão XIV, especificando que os jovens são "o hoje de Deus, o hoje da Igreja". Essas palavras remetem a uma passagem da Mensagem de Bento XVI para a 25ª Jornada Mundial da Juventude, em 2010, na qual o pontífice falou dos jovens como um "tesouro inestimável". Isso é ainda mais verdadeiro para aqueles que vivem em regiões conturbadas, situações que ameaçam o futuro de tantos recursos humanos.

    "    “Num momento em que tantas crises parecem obscurecer seu horizonte, quero encorajá-los a seguirem em frente sem perder a esperança. Sei bem como o peso da dúvida, da incerteza e, às vezes, da insegurança pode ser pesado sobre seus ombros e atrapalhar seus planos para o futuro.”"

    Construir pontes entre povos, culturas e religiões

    A iniciativa africana, que tem como tema "Tenham coragem" (João 16, 33), estruturada em torno da experiência das recentes Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa, surge do desejo dos bispos da região de oferecer aos jovens católicos um espaço comum de fé, encontro e formação. Unir-se "para ajudar a promover mudanças positivas em suas sociedades" é o que o Papa espera para as novas gerações dessas nações. Inspirando-se em Jesus, o apelo de Leão XIV é para que "ninguém seja marginalizado, isolado, excluído ou rejeitado. Sejam construtores de pontes", enfatiza ele, "entre povos, culturas e religiões". O desafio é grande, assim como o incentivo.
    "    “Queridos jovens, conto com vocês e confio em vocês; a Igreja confia em vocês. Com as suas palavras e ações, transmitam uma mensagem forte ao nosso mundo, assolado por guerras e conflitos de toda a espécie. Sejam testemunhas do amor, da justiça e da paz. Não sacrifiquem a sua juventude, tão preciosa, no altar dos prazeres efêmeros e da superficialidade.”"

    Oração pelo desenvolvimento humano integral das nações

    A ideia de um encontro da juventude católica da África Ocidental surgiu de um pedido dos próprios jovens: Burkina Faso propôs a iniciativa em 2019, e os bispos deram sua aprovação no ano seguinte, mas o evento teve que ser adiado devido à pandemia. Muitos enfrentam insegurança, migração irregular, desemprego e pobreza. É preciso coragem para promover um despertar que conduza sociedades inteiras e lideranças rumo ao bem comum e à harmonia. O Sucessor de Pedro está ciente disso e, portanto, reitera a exortação que ele mesmo fez no ano passado em sua Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude: não se fechar em si mesmo, mas sair em busca de respostas para as perguntas mais profundas e aos desejos mais autênticos. Sua bênção especial para os trabalhos que começam nesta segunda-feira, 7 de setembro, é acompanhada pelo olhar materno de Maria:

    "    “Confio-os à Virgem Maria, Rainha da Paz, pensando especialmente nas pessoas de seus países que, por vezes, têm de enfrentar crises complexas. Que Ela interceda junto de seu Filho, Jesus Cristo, para o desenvolvimento humano integral de suas amadas nações.”"

    Fonte: Vatican News
    https://www.vaticannews.va

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