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Papa: O coração de Deus está destroçado pelas guerras e pelas injustiças 14/04/2026
O segundo compromisso de Leão XIV em Annaba, nesta terça-feira (14/04), após a visita ao sítio arqueológico da antiga cidade de Hipona, onde viveu Santo Agostinho, foi na Casa de acolhimento das Pequenas Irmãs dos Pobres, dedicada ao acolhimento e à assistência de idosos necessitados ou sem família, incluindo muçulmanos.
Situada na colina de Annaba, chamada Lala Bouna, ao lado da Basílica de Santo Agostinho, a estrutura é administrada por cinco religiosas da Congregação das Pequenas Irmãs dos Pobres, com o apoio de funcionários e voluntários. Atualmente, cerca de quarenta hóspedes — mulheres e homens, em sua maioria muçulmanos — vivem na casa, que também dispõe de uma pequena mesquita e uma capela, expressão concreta de convivência e respeito inter-religioso. A instituição se mantém, em grande parte, graças à solidariedade dos habitantes locais.
Após ser acolhido pela Superiora da comunidade, irmã Philomena Peter, o Papa encontrou-se com os residentes, as religiosas e os colaboradores da casa. O momento incluiu um canto de boas-vindas, as palavras da Madre Superiora, o testemunho do Arcebispo emérito de Argel, dom Paul Desfarges, e o relato de um residente muçulmano, o senhor Salah Bouchemel.“Onde há amor e serviço, aí está Deus”
Em sua saudação, o Santo Padre agradeceu o acolhimento recebido: "Estou contente porque aqui habita Deus, pois onde há amor e serviço, aí está Deus”. Em seguida, expressou reconhecimento às religiosas e a todos os colaboradores. O Papa destacou o testemunho oferecido durante o encontro, em particular o do residente muçulmano, definindo-o como "lindo e consolador”. E contemplando a realidade vivida na casa, afirmou: “Creio que o Senhor, do Céu, ao ver uma casa como esta, onde se procura viver juntos em fraternidade, poderá pensar: afinal, há esperança!”. Em seguida, recordou as feridas do mundo atual:
" “O coração de Deus está destroçado pelas guerras, pela violência, pelas injustiças e pelas mentiras. Mas o coração do nosso Pai não está com os malvados, com os prepotentes, com os soberbos: o coração de Deus está com os pequenos e os humildes.”"O Reino de Deus no cotidiano
Por fim, Leão XIV sublinhou ainda que é precisamente nesse testemunho simples que o Reino de Deus cresce: Ele “faz avançar o seu Reino de amor e de paz, dia após dia”, por meio do serviço cotidiano, “na amizade, no viver juntos”. Ao final da visita, após a troca de presentes e um canto conclusivo, o Papa saudou pessoalmente um grupo de idosos residentes. -
Papa: sem a lei moral, a democracia pode virar tirania 14/04/2026
“Os usos do poder: legitimidade, democracia e a reescrita da ordem internacional”: este é o tema da Sessão Plenária da Pontifícia Academia de Ciências Sociais, que se realizará de 14 a 16 de abril, no Vaticano. Um tema, comenta o Papa numa mensagem aos participantes, "particularmente oportuno, que concentra nossa reflexão no exercício do poder, elemento fundamental para a construção da paz dentro das nações e entre elas, neste momento de profundas mudanças globais".
No texto, o Pontífice cita a Doutrina Social da Igreja, que considera o poder não como um fim em si mesmo, mas como um meio ordenado para o bem comum. ""Isso implica que a legitimidade da autoridade não depende do acúmulo de poder econômico ou tecnológico, mas da sabedoria e da virtude com que é exercida", escreve o Papa."
Essa compreensão do poder legítimo encontra uma de suas expressões mais elevadas na democracia autêntica. Como dizia São João Paulo II, a Igreja valoriza a democracia porque ela garante a participação nas escolhas políticas e “a possibilidade tanto de eleger e responsabilizar aqueles que os governam, como de substituí-los por meios pacíficos quando for o caso”. Todavia, alerta o Pontífice, a democracia permanece saudável somente quando enraizada na lei moral e em uma verdadeira visão da pessoa humana. Sem esse alicerce, afirma, ""corre o risco de se tornar uma tirania majoritária ou uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas.""
O Santo Padre prossegue recordando que os mesmos princípios que orientam o exercício da autoridade dentro das nações devem, da mesma forma, nortear a ordem internacional — "uma verdade que é particularmente importante recordar num momento em que rivalidades estratégicas e alianças instáveis estão remodelando as relações globais".
" “Devemos lembrar que uma ordem internacional justa e estável não pode surgir do mero equilíbrio de forças ou de uma lógica puramente tecnocrática. A concentração do poder tecnológico, econômico e militar nas mãos de poucos ameaça tanto a participação democrática entre os povos quanto a concórdia internacional.”"O poder divino não domina, mas cura e restaura
Leão XIV recorre à a clássica definição agostiniana de paz, para afirmar que se deve buscar esperança no Reino de Deus quando os poderes terrenos ameaçam a "tranquillitas ordinis". Embora não seja deste mundo, este ilumina os acontecimentos e revela seu significado escatológico. "Nesta perspectiva de fé, somos lembrados de que a onipotência de Deus se manifesta especialmente na misericórdia e no perdão; o poder divino não domina, mas cura e restaura. É precisamente essa lógica da caridade que deve animar a história", defende o Pontífice.
Com estes sentimentos, o Papa conclui a mensagem, fazendo votos de que a Plenária proporcione perspectivas valiosas para esclarecer os usos legítimos do poder, os critérios da democracia autêntica e o tipo de ordem internacional que serve ao bem comum. E invocando sobre todos as bênçãos de Deus.Participação brasileira
O encontro no Vaticano reúne líderes e acadêmicos de diferentes países para discutir o papel do poder político, a democracia e a reorganização da ordem internacional diante dos desafios contemporâneos. Entre os participantes, está o brasileiro Virgilio Viana, especialista em desenvolvimento sustentável e justiça climática. Ele integrará o painel “Reformulando a ordem internacional em prol da justiça ambiental e climática”, que será realizado no terceiro dia do evento, dedicado à discussão da nova ordem global e seus impactos sobre temas como clima, migração e governança internacional. Com trajetória consolidada na agenda socioambiental, Virgilio Viana levará ao debate internacional a perspectiva da Amazônia.Fonte: Vatican News
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Papa: A trégua é um sinal de esperança viva, somente com o diálogo a guerra poderá terminar 08/04/2026
Ao final da Audiência Geral, desta quarta-feira (08/04), o Papa Leão XIV expressou sua "satisfação" com o anúncio feito na noite da última terça-feira, 07, pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de estender o prazo do ultimato ao Irã por duas semanas. Isso ocorreu horas depois de Trump ter alertado sobre uma ação irreversível contra a República Islâmica, capaz de "aniquilar" toda uma civilização. Essas palavras deixaram o mundo em suspense e alarmaram o próprio Leão XIV, que, na noite de terça-feira, em frente à sua residência em Castel Gandolfo, falou de uma "ameaça inaceitável". Ao mesmo tempo, o Papa exortou a todos a rezarem e a tentarem se comunicar com membros do Congresso e autoridades para dizer: "Não queremos guerra, queremos paz".
Diálogo e negociação
Eis que essa paz — que ainda parece uma miragem —, com o anúncio da trégua (da qual o Líbano permanece excluído), parece dar um tímido passo à frente, enquanto ainda está em fase de definição um acordo de longo prazo entre os EUA e o Irã, levando em conta as diferentes condições para o Estreito de Ormuz. Leão XIV acolhe, entretanto, “com satisfação” as duas semanas de cessar-fogo, que chegam após “as últimas horas de grande tensão para o Oriente Médio e para o mundo inteiro”. São “um sinal de viva esperança”, afirma o Pontífice diante dos milhares de peregrinos reunidos numa Praça São Pedro lotada e ensolarada.
" “"Somente através do retorno às negociações poderemos alcançar o fim da guerra. Exorto-os a acompanhar este período de delicado trabalho diplomático com a oração, na esperança de que a disponibilidade a dialogar possa se tornar o instrumento para a resolução de outros conflitos no mundo."”"Convite para a Vigília pela Paz em 11 de abril
A esperança do Papa é, portanto, estabelecer um mecanismo — o do diálogo, como ele sempre defendeu — que possa servir de modelo para outras guerras que dilaceram o mundo. Por fim, Leão XIV convida mais uma vez os fiéis e não só ??para a Vigília de Oração pela Paz, evento anunciado no Domingo de Páscoa da sacada central da basílica de São Pedro durante a mensagem Urbi et Orbi. Este evento — na sequência de muitos outros semelhantes convocados pelo Papa Francisco ao longo dos anos — se realiza depois do de 11 de outubro de 2025, quando o Pontífice estadunidense presidiu um momento de oração e reflexão na Praça São Pedro para implorar a paz para o mundo.
Fonte: Vatican News
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Papa: a ameaça contra o povo iraniano é inaceitável 08/04/2026
Claras e diretas foram as palavras do Papa Leão do lado de fora de sua residência em Castel Gandolfo. Em uma breve declaração aos jornalistas, em italiano e depois em inglês, na noite desta terça-feira, 7 de abril, o Pontífice reafirma a urgência da paz, pensando na grave situação que está sendo vivida, olhando para o ultimato lançado pelo presidente americano Donald Trump ao Irã, com a ameaça de destruir tudo em uma noite se não forem aceitas as condições apresentadas anteriormente e rejeitadas por Teerã a respeito do Estreito de Ormuz.
O Papa retoma as palavras sobre a paz expressas no Domingo de Páscoa, na mensagem Urbi et Orbi, quando havia feito um apelo para depor as armas “a quem tem o poder de desencadear guerras”, escolhendo o caminho do diálogo e não o da força. Leão XIV sublinha que estão em jogo “questões de direito internacional”, mas, muito mais do que isso, existe “uma questão moral”, na qual é preciso ter presente o bem do povo. O pensamento se volta sobretudo aos mais frágeis, vítimas de uma escalada.
“Gostaria de convidar todos a pensar, no coração, verdadeiramente, nos tantos inocentes, nas tantas crianças, nos tantos idosos, totalmente inocentes.”Rezar pela paz
O Pontífice recorda que se fez um apelo ao diálogo desde os primeiros dias do conflito, buscando soluções por meio da negociação, para resolver os problemas “sem chegar a este ponto — afirma —, em vez disso, estamos aqui”.
"“Gostaria de convidar todos a rezar — prossegue —, mas também a procurar formas de se comunicar — talvez com os ‘congressistas’ (membros do Congresso), com as autoridades — para dizer que não queremos a guerra, queremos a paz! Somos um povo que ama a paz. Há tanta necessidade de paz no mundo!”"Uma guerra definida como injusta
Também em inglês, o Papa repete os mesmos conceitos, convida “todas as pessoas de boa vontade a buscar sempre a paz e não a violência, a rejeitar a guerra, especialmente uma guerra que muitos definiram como injusta, que continua a se intensificar e que não resolve nada”.
O Santo Padre se detém, então, nas crises que atravessam o mundo: a econômica, a energética, e olha para “a grande instabilidade no Oriente Médio, que está apenas provocando mais ódio em todo o mundo”. Repetidas vezes, reforça seu convite ao diálogo, a pensar nas vítimas inocentes e que “todos os ataques à infraestrutura civil são contra o direito internacional, mas são também um sinal do ódio, da divisão, da destruição de que o ser humano é capaz”. E dirige-se aos cidadãos de todos os países envolvidos para que façam ouvir a sua voz de paz.
"“As pessoas querem a paz.”"
Fonte: Vatican News
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Semana Santa, a seriedade do Amor 30/03/2026
Nos dias passados, antes que o coração conhecesse o tempo, já pairava sobre o mundo uma Palavra mais antiga que as estrelas. Dela vinham os começos, e por ela se sustentavam os caminhos que viriam a existir.
Nós, porém, labutávamos como viajantes sob névoa ouvindo nas dobras do vento e no rumor das águas um eco distante; cada geração guardava, como podia, um fragmento dessa lembrança. Fruto de uma voz que o mundo ouviu em sua juventude, uma promessa que não se distrai daquilo que promete.
A voz ouvida não era como a voz dos reis da terra, que juram ao amanhecer e ao cair da tarde já esqueceram. Sua palavra não era como a fumaça, que se eleva por um momento e logo se desfaz. Aquilo que ele pronunciava permanecia, aquilo que ele prometia se cumpria. E assim, por muitas eras de eras, enquanto os povos erguiam torres, quebravam alianças, atravessavam desertos e enterravam seus mortos, a promessa feita seguia seu caminho oculto, como rio cavando por baixo da terra árida.
Então veio o tempo em que a promessa se encarnou e já não quis apenas ressoar nos profetas e nos sonhos da noite; tomou para si o peso do dia, o pó das estradas e o cansaço dos que labutam.
Aquele que desde sempre guardava o mundo em sua palavra desceu até ele. Não veio com o fulgor diante do qual as muralhas se desfazem, nem com o estrondo que sucede ao relâmpago. Veio em silêncio como chegam os viajantes ao cair da tarde, veio sob o céu da humanidade, trazendo consigo a verdade.
Tomou para si a condição dos que caminham entre aurora e sepulcro. Recebeu o peso das horas, a sucessão dos dias, o frio das madrugadas e a lentidão dos passos humanos.
Aquele a quem pertenciam os confins da terra quis conhecer o limite de um corpo, o compasso do coração, a fome depois da jornada, a amizade ao redor do pão, o pranto diante do túmulo, a solidão sob as árvores da noite. Assim, o Senhor entrou no mundo como caminhante entre caminhantes.
Essa esperança já estava escrita no barro de Adão e na canção secreta do criado. Entrar na terra dos vivos é aceitar a travessia.
Ninguém nasce para permanecer junto ao limiar. A humanidade recebe a vida como caminhante. Aprende o nome das coisas andando, amadurece sob o peso dos dias, ama em meio às guerras, perde sob o mesmo céu. Leva anos para compreender que existir é mover-se entre promessa e cumprimento.Por isso o Filho caminhou.
Caminhou pelas margens onde a água recolhe as vozes dos simples; entre colinas e ruas estreitas. Caminhou entre doentes, pescadores, mães aflitas, crianças, estrangeiros, pobres de espírito, homens endurecidos pelo costume e mulheres que sofriam em silêncio. Uma marcha sem pressa na encosta do mundo.
O caminhar recordou-nos de alguma coisa anterior ao medo. Os cegos ergueram o rosto, como se sentissem um clarão sem nome. Os cansados descobriam que o peso de seus fardos podia ser aliviado. Os pecadores, acostumados a viver a sombra, ouviam em sua voz a seriedade de uma misericórdia antiga como o tempo. E ainda assim sua presença trazia também inquietação, porque a luz sempre perturba as fortalezas do orgulho e as casas da injustiça.
Muitos pensaram que seu caminho terminaria como terminam os caminhos dos justos entre os homens. Em recusa, em abandono e em sangue derramado sobre a terra ingrata. E, de fato, para lá seus passos se encaminharam, embora poucos o soubessem. Cada estrada por que passava inclinava-se secretamente para aquela descida; cada monte anunciava uma colina de dor; cada repouso junto à mesa apontava para a hora em que ofereceria não apenas pão, mas a si mesmo.
Assim o Caminhante avançou para o coração escuro do mundo.
Não recuou diante do ódio dos violentos, nem se desviou quando a amizade vacilou, nem se escondeu quando a noite se fechou. Seus pés, que haviam atravessado aldeias e campos, subiram também a estrada amarga. E ali a fidelidade do Altíssimo mostrou sua grandeza além de toda medida.
A promessa entrou na aflição, o amor na ferida, a vida na morte. O Caminhante estendeu-se sobre a madeira como quem abre uma ponte sobre o abismo, para que os perdidos encontrem passagem.
Veio então o primeiro dia, e o mundo tremeu sob a dor de contemplar seu Senhor entregue às mãos da violência. O céu se velou. A terra guardou silêncio. Muitos julgaram que a antiga promessa havia enfim sido vencida, e que o túmulo seria a morada da esperança.
Veio depois o segundo dia, o mais estranho de todos os dias desde que o sol iluminou este mundo. Era o dia imóvel, o dia fechado, o dia em que as portas pareciam pesadas demais para serem abertas e o ar espesso para ser respirado. Nesse dia, o mundo viu apenas a pedra, o sepulcro e a ausência. Mas as raízes da fidelidade trabalhavam escondidas, para além do alcance da vista, como sementes sob a neve ou fogo debaixo das cinzas.Então amanheceu o terceiro dia!
E nenhum canto, nenhum brilho, nenhuma aurora nas montanhas desde o princípio do mundo se igualou àquele romper. Pois a morte, que havia fechado suas mãos sobre reis e mendigos, sábios e crianças, profetas e pecadores, descobriu que tocara aquele a quem não podia reter. O sepulcro foi espalancado como se irrompe de águas sufocantes. A pedra se partiu. O silêncio foi superado por uma vida que não voltaria a perecer. E o Caminhante levantou-se.
Levantou-se trazendo uma novidade ao alcance dos mortais. Em seu corpo glorioso, ainda marcado pela memória dos cravos, brilhava a verdade que nenhuma palavra humana pode pronunciar sem espanto. A promessa atravessou a noite inteira e permaneceu inteira; a fidelidade passou pelo abismo e trouxe consigo a aurora; o Deus que desceu ao mundo não voltou atrás, mas foi até o fim.
Desde então, todos os caminhos da terra foram mudados, ainda que muitos o ignorem.
O Caminhante chama agora outros caminhantes. Sua voz percorre campos, cidades, claustros, desertos, lares e ruínas, dizendo a cada geração que se ponha de pé e siga. Não chama apenas os fortes, os sábios, ou os puros. Chama os que têm pés cansados, coração dividido, memória ferida e pouca esperança. Chama-os porque conhece a estrada. Chama-os porque já entrou na noite do mundo e abriu uma Clareira. Chama-os porque é caçador de vida e luz, e não de morte e escuridão.
Assim nasceram os discípulos, como companheiros do Caminhante. A eles foi dado mais do que doutrina; foi dado um caminho. Entregue mais do que consolação; foi confiada uma marcha.
Tornamo-nos povo da estrada, gente do terceiro dia, mulheres e homens que aprenderam a reconhecer na sexta-feira a seriedade do amor, no sábado a paciência da esperança e no domingo a vitória do coração sobre a dureza do tempo.
E ainda agora, quando os reinos envelhecem, as guerras obscurecem o horizonte e muitos se perguntam se a promessa se perdeu entre as ruínas do mundo, o que permanece é o fato que o Altíssimo entrou na história como caminhante. Seus pés tocaram a poeira. Sua voz chamou os perdidos. Sua fidelidade desceu até a morte. Sua vida abriu a manhã do terceiro dia. E, todo aquele que o ouve, cedo ou tarde, encontra dentro de si o vestígio dessa verdade.
Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)Fonte: Cnbb
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Deus rejeita a oração de quem faz a guerra, afirma o papa Leão XIV 30/03/2026
O papa Leão XIV condenou hoje (29), na missa do Domingo de Ramos na praça de São Pedro, no Vaticano, o uso da religião para justificar conflitos e afirmou a figura de Jesus Cristo "como Rei da Paz", mesmo "enquanto à Sua volta se prepara a guerra".
“Como Rei da Paz, Jesus quer reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque «Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14)”, disse o papa na missa.Primeira Semana Santa de Leão XIV
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa e comemora a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. É o primeiro grande evento litúrgico deste período, numa Semana Santa especialmente significativa por ser a primeira sob o pontificado do papa Leão XIV.
Nestes dias, ele celebrará a tradicional Via Sacra no Coliseu, em Roma, e retomará a celebração da missa da Quinta-feira Santa na basílica de são João de Latrão, sua catedral como bispo de Roma. O papa está, assim, retomando uma prática diferente da de seu antecessor, Francisco, que preferia celebrá-la em prisões ou abrigos para migrantes.
Leão XIV participou da procissão do obelisco central da praça de São Pedro até o altar, acompanhado por cardeais, bispos e centenas de sacerdotes que concelebraram a missa junto com religiosos e milhares de fiéis, carregando ramos de oliveira e palmas.
Tal como nos anos anteriores, as palmeiras e os ramos de oliveira foram oferecidos ao Vaticano por entidades italianas, enquanto as chamadas "palmeiras fênix", maiores e sem trançado, foram doadas pelo Caminho Neocatecumenal.
A esses juntaram-se os tradicionais palmurelli, pequenos ramos de palmeira trançados à mão, que muitos fiéis carregavam consigo. No início da celebração, o papa procedeu à sua bênção.Jesus, um carinho para a humanidade
Em sua homilia, o papa falou sobre a jornada de Jesus até a Cruz, dizendo que Deus "se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto outros empunham espadas e paus".
“Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra”, disse Leão XIV. “Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência”.
O papa também falou sobre o episódio do Evangelho em que Simão Pedro desembainha a espada para defender Jesus e fere o servo do sumo sacerdote, dizendo que "imediatamente Ele o detém, dizendo: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada» (Mt 26, 52)".
Assim, ele falou sobre a incompatibilidade entre fé e violência: “Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue» (Is 1, 15)”, disse Leão XIV, citando o profeta Isaías.
Diante da Cúria Vaticana, o papa falou sobre a imagem de Cristo como servo sofredor que, “enquanto era carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas culpas”, se humilhou. “Ele «não abriu a boca,
como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53, 7)”, disse Leão XIV, citando novamente o profeta Isaías, que predisse a vinda de Jesus Cristo em grande detalhe, centenas de anos antes do Seu nascimento.
“Não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”
“Ele não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”, disse Leão XIV. “Manifestou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a violência, e, em vez de se salvar a si mesmo, deixou-se cravar na cruz, para abraçar todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da humanidade”.
O papa disse também que, ao contemplarmos Cristo crucificado, "vemos os crucificados da humanidade".
Em Suas feridas, disse Leão XIV, “vemos as feridas de tantas mulheres e homens de hoje. No seu último grito dirigido ao Pai ouvimos o choro de quem se encontra abatido, sem esperança, doente, sozinho. E, sobretudo, ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra”.
Numa cerimônia solene, rodeado por ramos de oliveira e palmeiras, o papa antecipou o tema central de sua mensagem para esta Semana Santa: a paz. “Deus é amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!”, disse ele.
Em sua homilia, o papa também citou o bispo italiano Antonio Bello (1935-1993), conhecido como o “bispo dos pequeninos” por seu compromisso com os pobres, a justiça social e o pacifismo. O bispo Bello, declarado venerável em 2021 pelo papa Francisco, presidiu a Pax Christi Itália e liderou uma marcha histórica pela paz em Sarajevo em 1991, no auge da Guerra dos Balcãs.Fonte: ACI Digital
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O que é o jejum e por que é importante na Semana Santa 30/03/2026
O que é o jejum e por que é importante para os cristãos, especialmente durante o tempo da Quaresma e da Semana Santa?
O jejum, disse padre Donato Jiménez, membro da Ordem dos Agostinianos Recoletos, ao Grupo ACI, “é uma forma de abster-se de alimentos corporais, e é uma forma de penitência e de oração. Jesus praticou o jejum em momentos importantes, antes de rezar, antes de escolher os apóstolos e em muitas ocasiões”.
“E a Igreja faz o jejum desde o século IV de forma regular”, disse.
“É uma maneira de ajudar a oração, de purificar o nosso corpo e, assim, nos dispormos melhor para a escuta de nossa oração por Deus”.
A Igreja, continuou o padre Jiménez, nos recorda “o jejum no tempo da Quaresma e do Advento, especialmente na terça e na sexta-feira, como faziam tradicionalmente em muitas comunidades”.
Atualmente, disse, a obrigação do jejum se mantém “na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa”.
O sacerdote disse que “o jejum é fazer apenas uma refeição por dia, ou se comemos duas ou três vezes por dia deve ser uma alimentação frugal. Isso seria o jejum que a Igreja quer”.Quem deve jejuar?
Segundo indica o Código de Direito Canônico, no número 1252, à lei do jejum “estão sujeitos todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos. Todavia os pastores de almas e os pais procurem que, mesmo aqueles que, por motivo de idade menor não estão obrigados à lei da abstinência e do jejum, sejam formados no sentido genuíno da penitência”.Quem não jejua?
Além das pessoas que não jejuam devido à sua idade, pessoas com problemas mentais, doentes, mulheres grávidas ou lactantes, trabalhadores de acordo com as suas necessidades, convidados a refeições que não podem ser justificadas sem ofender gravemente ou outras situações morais ou impossibilidade física de manter o jejum.
Fonte: ACI Digital
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A Páscoa do Senhor em São João por Santo Agostinho 27/03/2026
A Igreja celebra a Páscoa do Senhor como o ponto central da vida de Jesus em vista da salvação humana. É o mistério do amor, da doação do Senhor por nós e pela humanidade. Para voltar ao Pai era necessário que o Filho do Homem, Filho de Deus passasse pela paixão, morte e ressurreição. Jesus tinha consciência desta passagem fundamental sem a qual não teria a redenção humana. Nos próximos dias celebraremos os mistérios que proporcionaram vida em abundância, pois teremos presentes o amor de Deus a nós e a toda a humanidade; “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único” (Jo 3,16). A seguir nós teremos a visão de Páscoa em Santo Agostinho, a partir do evangelista São João, o discípulo amado do Senhor.
A Páscoa tem significado de passagem
Santo Agostinho teve presente o capitulo 13 de São João onde se diz que “Jesus antes da festa da Páscoa, sabendo que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (cfr. Jo 13, 1). Para ele entra aqui os significados de Páscoa, que se de um lado vem do grego páschein, padecer[1], de outro lado a Páscoa tem o significado na sua verdadeira língua, a hebraica, a qual diz respeito à passagem, uma vez que o povo de Deus celebrou a Páscoa no momento em que as pessoas fugiam do Egito ao passar pelo Mar Vermelho (cf. Ex 14,29). O tempo completou-se onde Jesus seria conduzido como ovelha ao matadouro, para o único sacrifício e perfeito (cf. Is 53,7). Qual seria a passagem que Jesus iria realizar? A passagem dele foi deste mundo ao Pai[2], de modo que Ele passou pelo sofrimento, pela cruz para chegar à glória da ressurreição. A Páscoa possui o significado da passagem do Senhor deste mundo para a vida divina.Ele teve um amor grande, até o fim
O amor do Senhor não teve limites para com os seus e para o gênero humano, indo até o fim. O Bispo de Hipona afirmou que o fim do qual o evangelista afirmou, trata-se daquele que leva à plenitude, não de um fim que aniquila, perece, mas do fim de um amor sem limites[3]. É um amor segundo as palavras evangélicas que podem ser tomadas também num sentido humano, segundo o qual se diz que Jesus amou os seus até o fim pois os amou até a morte[4]. É evidente que o amor de Jesus não se esgota pela morte; Ele sempre nos amou e nos ama até o fim para significar um amor que não mediu palavras e ações[5].O Pai pusera tudo nas mãos de Jesus
O Evangelista São João afirmou que o Pai pusera tudo nas mãos de seu Filho, Jesus, que o diabo pusera no coração de Judas o propósito de entregá-lo, que Ele viera de Deus e a Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs o manto, tomou uma toalha, cingiu-se com ela e começou a lavar os pés de seus discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido (cf. Jo 13,2-5)[6]. Jesus não fez este gesto maravilhoso no fim, mas durante a ceia, pois Ele tornou a sentar-se à mesa, significando a necessidade do serviço como doação de si mesmo, para o próximo e para Deus.O projeto de entregar Jesus
São João afirmou que Judas queria entregar Jesus às autoridades tendo presente o diabo que pusera isso no coração dele para entregar Jesus[7]. Segundo Santo Agostinho esta ação de pôr era uma sugestão espiritual, não do ouvido, era pelo pensamento, não era do corpo, mas era do espírito. Santo Agostinho levantou a pergunta como é possível que as diabólicas sugestões se introduzam e se misturem com os pensamentos humanos? A resposta vem quando o consentimento que presta a mente humana a cada uma das sugestões por mérito humano o fará se tiver sido abandonada pelo auxílio divino, ou por obra da graça. Já tinha sido posto no coração de Judas, por ação diabólica, que o discípulo entregasse o Mestre que ele não aprendera tratar-se de Deus. Na verdade Judas foi ao banquete como espião do Pastor, segundo o bispo de Hipona, como quem espreita o Salvador, e vende o Redentor. Viera nesta condição, e pensava que fosse ignorado, pois não pode enganar Aquele a quem pretendia enganar. No entanto Jesus percebeu o pensamento e a ação de Judas que iam se realizar contra o Senhor[8].O gesto humilde do Senhor
Como foi dito, Jesus levantou-se da mesa, depôs o manto, tomou uma toalha, cingiu-se com ela. Colocou em seguida água numa bacia e começou a lavar-lhes os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com quem estava cingido (cf. Jo 13, 5). O evangelista quis enaltecer seja a humildade de Jesus servidor das pessoas e da humanidade, como também enaltecer a sua excelsitude[9]. Tendo presente que o Pai pôs tudo em suas mãos, Ele não lavou as mãos dos discípulos, mas sim os seus pés. Ele exerceu o serviço de quem era escravo[10], demonstrando o amor pelo serviço essencial que aconteça na vida da comunidade.
A atitude de Jesus foi aquela de uma grande humildade, no sentido de que Deus era, é o Encarnado, assumindo todas as coisas referentes à humanidade na maior simplicidade da vida. Ele lavou também os pés de Judas, aquele que deveria trair a Jesus, demonstrando um grande grau de humildade, cujas mãos Ele antevia já comprometidas com o crime[11].
Jesus estava próximo de sua paixão, morte e ressurreição. Com o gesto do lava-pés ensinou aos seus discípulos e a todos nós, a importância do serviço, da vivência da humildade, fazendo perecer para sempre a vaidade, o orgulho das pessoas, de suas autoridades, para enaltecer a caridade e o amor entre as pessoas, com Deus[12]. A Páscoa é passagem do mistério da encarnação, paixão, morte, ao mistério da glória da ressurreição e a sua entrada à direita do Pai.
[1] Cfr. Homilia 55,1. O amor até o fim. In: Santo Agostinho. Comentários a São João II. Evangelho – Homilias 50-124. São Paulo: Paulus, 2022, pg. 73.
[2] Cfr. Idem, pg. 74.
[3] Cfr. Ibidem, n. 2, pg. 75.
[4] Cfr. Ibidem.
[5] Cfr. Ibidem, pgs. 75-76.
[6] Cfr. Ibidem, n. 03, pg. 76.
[7] Cfr. Ibidem, n. 04, pg. 76.
[8] Cfr Ibidem, pg. 77.
[9] Cfr. Ibidem, n. 6. Pg. 78.
[10] Cfr. Ibidem.
[11] Cfr. Ibidem.
[12] Cfr. Ibidem, n. 7, pg. 79.
Fonte: Vatican News
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A Inteligência Artificial a serviço da paz, por Dom Oriolo 27/03/2026
No último dia 28 de fevereiro, tomamos conhecimento do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã. Para muitos especialistas, esse embate tem sido marcado pelo uso da Inteligência Artificial (IA), definindo o que chamam de guerra tecnológica. A imprensa norte-americana afirma que os EUA estão utilizando tecnologia avançada em confrontos armados contra o Irã. Segundo o Wall Street Journal, o exército americano não revelou como o assistente foi empregado na operação atual, mas confirmou que costuma usar a IA para avaliações de inteligência, identificação de alvos e simulação de cenários de batalha.
Destarte, americanos e israelenses utilizam, de forma inédita, a inteligência artificial para escolher alvos militares. Os sistemas computacionais realizam análises integradas a várias fontes de dados (satélites, mensagens e ligações) em tempo real, fornecendo direcionamento tático e conclusões precisas em apenas alguns segundos. Por outro lado, a principal arma dos iranianos são os drones com sistemas de reconhecimento visual integrados. Essas aeronaves atingiram um alto grau de precisão em ataques na região do Golfo; operando como quadricópteros que se lançam contra alvos em missões camicases (pilotos japoneses que realizavam ataques suicidas com aviões carregados de explosivos contra navios aliados na Segunda Guerra Mundial). Os drones possuem mapas detalhados e capacidade de identificação visual em tempo real.
Nessa realidade, percebemos como a autonomia da Inteligência Artificial pode prejudicar a prosperidade da autonomia humana. O propósito da IA deveria ser o oposto: fomentar as capacidades humanas e servir como ferramenta para a promoção de uma cultura de paz. Diante desse cenário tecnológico, torna-se urgente o despertar de uma consciência global que priorize a cultura da paz em vez do conflito.
Historicamente, os relatos de nossos antepassados e os livros de história focam muito mais nos feitos da guerra do que nas conquistas da paz; narramos nossa trajetória em termos de conflitos. Como bem alertou John Kennedy: “A humanidade deve pôr fim à guerra, ou a guerra porá fim à humanidade”. Assim, somos chamados ao desafio de converter o uso da IA transformando-a em aliada para que possamos atuar como verdadeiros profetas e promotores da paz.
O destino da IA oscila entre dois extremos: o potencial para a guerra, como vemos hoje, e a capacidade de promover a paz ao prever conflitos. No entanto, essa evolução exige cautela, pois ferramentas que deveriam proteger a humanidade podem degenerar em sistemas de vigilância invasivos ou armas autônomas fora de supervisão humana
Embora a Inteligência Artificial tenha sido aplicada em cenários de guerra, ela possui um potencial igualmente vasto para a mediação e solução de conflitos. Algoritmos éticos, quando devidamente programados, podem propor soluções diplomáticas que priorizam a dignidade humana acima de interesses estratégicos. Considerando que a história é repleta de registros sobre guerras, dispomos de um volume massivo de dados que a IA pode processar para identificar padrões, prevenir tensões e antecipar crises antes que se convertam em violência física. Além disso, esses sistemas podem ser empregados para monitorar o cumprimento de acordos de paz, integrando-se aos princípios que promovem a sacralidade da vida e a fraternidade universal, transformando a tecnologia em uma aliada na construção de uma verdadeira cultura de paz.
Diante de um cenário onde a inteligência artificial redefine as fronteiras do conflito, o mundo clama por homens e mulheres smart — não apenas dotados de inteligência técnica, mas impregnados da paz de Cristo. A verdadeira autonomia humana se manifesta quando escolhemos derrubar os muros da separação e do ódio, permitindo que o Shalom floresça como uma presença viva entre nós, como nos ensina a bem-aventurança: "Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5,9). Esta promessa é o alicerce para que a tecnologia deixe de ser um instrumento de precisão bélica e se torne um instrumento de paz.
A paz, portanto, não é um evento passivo, mas uma construção que espera por seus profetas e construtores. Para papa Leão XIV é “a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante”, como afirma na sua mensagem para o dia LIX Dia Mundial da Paz.
Ela simboliza aquela tranquilidade e bem-estar integral que provém de Deus, restaurando relações e estabelecendo a harmonia tanto no mundo quanto na alma. Ser um profeta da paz nesta era digital significa converter a extraordinária aspiração de todos os povos em uma realidade concreta, garantindo que a inteligência humana, guiada pela ética e pelo amor, sempre prevaleça sobre a lógica das máquinas para o bem da humanidade.Dom Oriolo
Bispo da Igreja Particular de Leopoldina MG
Fonte: Vatican News
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Diocese de Baturité é instalada no Ceará, a primeira criada por Leão XIV no Brasil 27/03/2026
A diocese de Baturité (CE) foi instalada ontem (25) durante celebração na Paróquia Nossa Senhora da Palma, que a partir de agora passa a ser a catedral da nova diocese. Criada pelo papa Leão XIV em 1º de janeiro, a nova circunscrição eclesiástica reúne 14 municípios e 21 paróquias antes vinculadas à arquidiocese de Fortaleza (CE). Dom Luís Gonzaga Silva Pepeu, OFMCap, é o primeiro bispo.
“Chego como irmão de todos, sobretudo como franciscano capuchinho. Como pastor, como pai e guia desta porção de Deus que nos foi confiada pela Igreja”, disse dom Pepeu, como o bispo é conhecido, em coletiva de imprensa ontem. “Nossa prioridade é conhecer. Conhecer o povo, as pessoas, a realidade, escutar e caminharmos juntos. Vivemos uma Igreja sinodal, e para caminhar juntos é preciso ouvir”.
“A instalação de uma nova diocese é um reconhecimento do fortalecimento da própria Igreja aqui. É fruto do trabalho de todos os que fazem parte da história e da missão da Igreja em Baturité e das paróquias que compõem a nova diocese”, disse o arcebispo de Salvador (BA) e primaz do Brasil, cardeal Sérgio da Rocha, quem representou o papa Leão XIV e presidiu o rito de posse, na coletiva de imprensa.
Segundo dom Sérgio, o desejo por uma diocese própria em Baturité é antigo. O arcebispo de Fortaleza (CE), dom Gregório Paixão, OSB, reforçou essa ideia dizendo que “o que nós estamos vivendo é o sonho de muitos corações. Confesso que fiquei profundamente feliz. O papa Leão XIV nos deu essa graça em tempo recorde”. Segundo ele, iniciativas anteriores não avançaram por causa das dificuldades de comunicação e deslocamento na região.
"Não é apenas um momento histórico, mas um desejo de Deus sonhado por tantos corações. É uma alegria imensa, de toda a Igreja, pois todas as vezes que um lugar recebe uma igreja particular, toda a fé se une em oração e alegria. Por saber que o povo será ainda mais visto, cuidado e amado", disse dom Gregório.A cerimônia de instalação
A programação da instalação da diocese começou no Palácio Entre Rios, onde dom Pepeu recebeu cumprimentos de autoridades civis. Em seguida, o bispo caminhou até a catedral acompanhado por dom Sérgio e por dom Gregório.
Os fiéis lotaram a praça em frente à igreja matriz praça para acolher o novo bispo. Na chegada à catedral, o pároco, padre José Benício Nogueira, fez a recepção oficial. Antes dos ritos de posse, dom Pepeu rezou na Capela do Santíssimo e visitou o local onde estão os restos mortais da serva de Deus irmã Clemência de Oliveira.
A cerimônia de posse foi celebrada pelo cardeal Sérgio da Rocha, que representou o papa Leão XIV.
Durante a solenidade, foi feita a leitura das Letras Apostólicas: a Bula de Instalação da Diocese de Baturité; a Bula de Nomeação do primeiro Bispo de Baturité; a bênção da Cátedra de Baturité; a entrega da Cátedra e do Báculo ao primeiro Bispo Diocesano; e a saudação de alguns representantes do clero, das autoridades civis e dos leigos ao novo arcebispo. À noite, a programação foi concluída com a celebração da missa por dom Pepeu.
Para dom Pepeu, a data da instalação é cheia de significados, pois “acontece na solenidade da Anunciação do Senhor e nos 800 anos do trânsito de São Francisco de Assis, tão venerado nesta região”.
Com Baturité, o Ceará passa a contar com 10 circunscrições eclesiásticas. A última criação de dioceses no estado havia ocorrido em 1971, quando surgiram as dioceses de Itapipoca, Quixadá e Tianguá.Estrutura e território da nova diocese
A diocese de Baturité abrange os municípios de Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Canindé, Caridade, Guaramiranga, Mulungu, Pacoti, Ocara, Palmácia, Paramoti e Redenção.
Conta com 21 paróquias, entre elas o Santuário de São Francisco das Chagas, em Canindé, maior santuário franciscano do Brasil e o segundo maior do mundo. Ele é um dos maiores centros de peregrinação do país, recebendo romeiros o ano inteiro.A diocese tem 28 padres diocesanos, 11 padres religiosos, um diácono permanente, seis seminaristas, 10 religiosos e 31 religiosas. A população estimada é de 298 mil habitantes, dos quais cerca de 239,5 mil são católicos. O território é de cerca de 7 mil quilômetros quadrados.Fonte: ACI Digital
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