Seminário não deve ser subestimado, faz parte da missão, lembra Papa

No encontro desta quinta-feira, 3, com seminaristas do sul da Itália, o Papa Leão XIV destacou a importância do período de formação no seminário para aprofundar a relação com Deus e discernir “a verdade da vocação”. Segundo o Pontífice, esse caminho se situa entre o chamado de Deus e o envio à missão.
A partir do Evangelho de São Marcos (Mc 3,13-14), que narra o momento em que Jesus sobe ao monte e chama os Doze para que permanecessem com Ele e, depois, fossem enviados em missão, Leão XIV orientou sua reflexão a cerca de 150 pessoas reunidas na Sala Clementina, no Vaticano. O grupo era formado por estudantes do Pontifício Seminário Regional Pugliese “Pio XI”, de Molfetta, e do Seminário Episcopal de Aversa, além de formadores e familiares.
As duas instituições celebram datas importantes neste ano: o seminário de Molfetta comemora o centenário da nova sede, enquanto o de Aversa celebra 300 anos da sede atual.
Ao abordar o processo de formação, Leão XIV afirmou que o estudo e a disciplina são etapas essenciais do caminho, mas ressaltou que “só têm valor se estiverem fundamentados na relação com Deus”. Para o Papa, a passagem do Evangelho de Marcos apresenta uma síntese do caminho vocacional:
“Nessas poucas palavras já está tudo. Ao nos determos nessa breve passagem, podemos perceber uma síntese admirável da experiência válida para todo chamado, para todos aqueles que desejam aprofundar a verdade da própria vocação. Há o monte a subir, onde alcançar Cristo e, acima de tudo, onde permanecer junto a Ele. O coração da experiência do seminário está todo aqui: aprender a estar com o Mestre, o Senhor Jesus.”
Chamado: o monte a subir
Ao recordar que Deus “chamou para si aqueles que quis”, o Santo Padre destacou a liberdade de Deus como origem de toda vocação. “Não há um concurso, não há uma lista de classificação, nem está escrito que escolheu os melhores: escolheu aqueles que queria”, afirmou.Em uma sociedade que valoriza intensamente a autorrealização, Leão XIV ressaltou a necessidade de recordar que a vocação nasce da iniciativa livre de Deus Pai, que “sussurra ao coração dos jovens”, “em todas as épocas da história e em todos os lugares”.
Depois de ouvir a voz do Senhor, prosseguiu o Pontífice, é preciso responder ao chamado e “subir a montanha”. O caminho pode ser exigente e cansativo, sem que seja possível enxergar imediatamente o seu destino. Ainda assim, observou, “o cansaço da vida espiritual é, porém, sustentado pela beleza da fraternidade e da partilha da missão”.
No monte: permanecer com Cristo
Com o nascimento da vocação, explicou o Papa, começa a etapa de “aprender a estar com Ele” no monte. Nesse sentido, Leão XIV afirmou que a presença dos seminaristas é “um sinal de esperança para toda a Igreja” e agradeceu pelo “sim” dado diariamente por aqueles que se preparam para o sacerdócio.“O tempo do seminário continua sendo necessário, hoje não menos do que ontem. Em um mundo que tem pressa e que vê com desconfiança qualquer pausa prolongada, poderia-se pensar que seja um luxo ou uma instituição ultrapassada, mas não é assim. Justamente porque o nosso tempo é acelerado e barulhento, há necessidade de um lugar e de uma fase da vida em que se aprenda a permanecer, a discernir, a deixar-se formar sem atalhos. O seminário não é um adiamento da missão, mas uma condição para a mesma. Não se deve subestimá-lo.”
Ao comentar que Jesus reuniu os Doze no monte, Leão XIV ressaltou ainda que a experiência da Igreja é essencialmente comunitária. O Pontífice retomou, nesse contexto, uma reflexão apresentada em sua Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro”, na qual destaca a necessidade de “corresponder à graça da fraternidade”. Assim como “nenhum pastor existe sozinho”, afirmou, também o seminarista não pode compreender sua vocação de maneira isolada da Igreja.
“O seminário, portanto, antes mesmo de ser um lugar para adquirir informações, ‘deveria ser uma escola dos afetos’. E a vocês, queridos formadores, peço que sejam os primeiros mestres daquele cuidado e daquela fraternidade que se manifestam em relações autênticas, pessoais e comunitárias, feitas de verdade e de caridade. Não se improvisa ser formador: o ministério de vocês é extremamente delicado, para o qual se prepara com conhecimento, paciência e amor.”
Leão XIV também dirigiu uma palavra às famílias dos seminaristas. O Papa agradeceu a elas, lembrando que “uma vocação nunca surge sem um contexto adequado e, muitas vezes, precisa de um lar, de pais que rezam e que sabem deixar ir”.
A missão: descer do monte
Por fim, o Santo Padre destacou o momento de “descer do monte”. Depois de experimentar a presença de Deus e permanecer com Cristo, assim como os Doze Apóstolos, o seminarista é preparado para ser enviado em missão.Segundo Leão XIV, essa missão alcança realidades concretas da sociedade: “as famílias que lutam para sobreviver, os jovens que, aos vinte anos, fazem as malas em busca de trabalho, os idosos solitários, os marginalizados, àqueles que perderam o sentido da existência”.
“O sacerdote é enviado a todos para que a todos anuncie a beleza da fé em Jesus Cristo, a boa nova da nossa salvação. É a salvação que nos foi concedida por meio de Maria. Confiem nela, como naquela que, por primeiro, fez o que hoje é pedido a vocês. Peçam a Maria a graça de aprender a dizer todos os dias o seu ‘sim’ ao Senhor Jesus.”
Para o Pontífice, portanto, o caminho da formação sacerdotal pode ser compreendido a partir de três movimentos: subir ao monte para encontrar Cristo, permanecer com Ele na fraternidade da Igreja e, depois, descer para servir e anunciar o Evangelho.
Fonte: Cançao Nova Not
https://noticias.cancaonova.com
Veja também Noticias da Igreja católica
Notícias Católicas TelasConversas e amizades ficam em segundo plano com uso de telas
Foto: Zoe na Unsplash Notícias Católicas InfânciaMais da metade das crianças no mundo sofre algum tipo de violência, denuncia UNICEF
Tia Lolita ao lado do padre Marcelo Rossi na edição passada do Hallel (2025) / Foto: Divulgação Hallel Notícias Católicas HallelFrança recebe Hallel, um dos maiores eventos de evangelização
